Santa Maria está entre cidades que vão receber testes da vacina de Oxford


 

Foto: Dado Ruvic/reprodução/Agência Brasil

 

Junto do anúncio da retomada dos testes da vacina contra o coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford, foi anunciado que o número de voluntários deve dobrar com acréscimo de três cidades, entre elas Santa Maria.

O Termo de Cooperação Técnica entre a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina – Hospital São Paulo (SPDM) foi assinado digitalmente nesta terça-feira. A partir disso, a UFSM aguarda a assinatura de Oxford para, então, integrar a pesquisa. O Hospital São Paulo é hospital universitário da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A parceria segue até a conclusão do estudo.

Conforme o reitor da instituição, Paulo Afonso Burmann, o projeto vinha sendo desenvolvido há mais de um mês por professores e pesquisadores da UFSM. Ele foi apresentado e aprovado. Ainda não não há datas para os testes começarem em Santa Maria.

“É o reconhecimento pela competência técnica da nossa universidade. Temos sido referência em vários setores, e este tem sido mais um. Há um grupo de professores que está envolvido nesse projeto, trabalhando nele há algum tempo. Envolve também da Agittec, que participa do trâmite, da questão burocrática toda. Vinhamos trabalhando nisso, mas sem alarde. É um assunto muito delicado, e não queremos fazer publicidade com esse tema, porque é uma coisa muito cara para toda a população”, fala o reitor.

A parceria da UFSM é firmada junto à SPDM para o credenciamento da Universidade e do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) como um dos centros de pesquisa aptos a participar do estudo da vacina da Universidade de Oxford, patrocinadora do estudo.

De acordo com o termo firmado entre a UFSM e a AstraZeneca, a estimativa é de que 1 mil voluntários participem do ensaio em Santa Maria. Este acordo só é firmado após o credenciamento da UFSM junto à Unifesp e tem prazo para revisão contratual e assinatura até 18 de setembro. O contrato ainda prevê um aporte financeiro de R$ 14,3 milhões para o desenvolvimento da pesquisa, que tem previsão de duração até dezembro de 2021.

A forma de seleção dos participantes ainda é construída pela equipe que trabalha no projeto. Entretanto, há critérios padronizados já observados nos testes anteriores para que voluntários possam participar do estudo.

 

CRITÉRIOS

Ter mais de 18 anos

Trabalhar em serviço de saúde atendendo pessoas com Covid-19

Não ter sido diagnosticado ou testado positivo para o vírus da Covid-19

Ter registro no conselho profissional regional

Não apresentar doença crônica

Se mulher, não estar gestante

Não participar de outro ensaio clínico

 

O time de pesquisadores é formado por professores de diferentes departamentos da UFSM, com apoio do Husm. A coordenação do projeto é feita pelo professor Alexandre Vargas Schwarzbold, que também é chefe da Unidade de Pesquisa Clínica no Husm e presidente da Associação Rio-grandense de Infectologia.

A partir da assinatura do termo nesta terça, outros ajustes devem ser feitos. A equipe ainda deve ser ampliada, e adequações de infraestruturas devem ser realizadas pela UFSM.

“Esperando a consolidação desse processo. Não é a assinatura do termo que garante. tem etapas a serem cumpridas o âmbito da universidade.Provavelmente serão selecionadas mais pessoas para essa equipe que deve ser bem consistente, grande. Não é um processo simplificado. Exige um controle muito intenso disso, monitoramento de pacientes, todo processo que é característico deste tipo de teste. E de muita responsabilidade. Claro que tem segurança nesse processo. Tem todo um controle com estrutura complexa”, explica Burmann.

Um dos ajustes é a aprovação do projeto no próprio Husm. Conforme o Hospital, qualquer estudo clínico a ser executado lá previsa ser submetido ao Colegiado Executivo para análise e aprovação.

 

ORÇAMENTO

O acordo assinado nesta terça não estabelece diretamente o repasse dos recursos, mas antecede contratos com repercussão financeira. Entre a SPDM e a UFSM, não há repasses.

O documento define, ainda, o centro de pesquisa – a UFSM, no caso – pode captar fundos para a pesquisa. Os contratos, contudo, são revisados pelo centro coordenador – a SPDM, por meio da Unifesp.

Parte da verba para qualificar o Husm como centro de pesquisa apto a realizar estudos clínicos de larga escala com vacinas será financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates. Para isso, a UFSM também assinou, na segunda-feira, um acordo de subsídio com o Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), do Rio de Janeiro, que ficará responsável por repassar o valor ao centro de pesquisa. O aporte é de U$ 50 mil, cerca de R$ 265 mil. Esse acordo era necessário para a concretização da assinatura do Termo de Cooperação Técnica com o Hospital de São Paulo, coordenador geral da pesquisa clínica da vacina de Oxford.

 

OS TESTES

No Brasil, os testes eram feitos nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Depois de voluntários apresentarem reações adversar, os testes foram suspensos. Quando as testagens foram retomadas, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a AstraZeneca dobrou o número de voluntários de 5 mil para 10 mil. Além das três cidades iniciais, Santa Maria, Porto Alegre e Natal, no Rio Grande do Norte, foram inclusas nos municípios que recebem os testes.

 

 

Fonte: Diário de Santa Maria

 

 

Comments are closed.