Saiba “Por Onde Anda” o sepeense Josel Correa

Hoje, a participação no quadro “Por Onde Anda, Sepeense?” é do sepeense Josel Correa, que reside na cidade de São José – Santa Catarina. Confira:

 

Trajetória

Eu sai de São Sepé em 1965, para estudar em Santa Maria no Colégio Manoel Ribas onde fiz o cientifico, nos três anos me preparei para ir a Academia de Agulhas Negras em Resende no RJ, pois era um menino pobre e tinha dificuldades para manter-me. Como não consegui acabei fazendo vestibular para Enfermagem único curso que havia quando fui descartado pela carreira militar. Fui para o Curso de Enfermagem da UFSM sem saber o que fazia um Enfermeiro, mesmo assim me sai bem no Curso fui presidente de Diretório Acadêmico e tinha ordem do Reitor Mariano Rocha para me contratar, mesmo assim, quando estava prestes a terminar o curso enviei correspondência para várias Secretarias de Saúde do Pais. Quem me chamou para trabalhar foi Santa Catarina.

Naquela época ao chegar em SC mandaram eu escolher para qual hospital eu queria trabalhar. Eu escolhi o Hospital Celso Ramos e já assinei contrato de trabalho. Todavia, como quando era estudante eu fiz estágio voluntário sempre em Psiquiatria, na mesma noite, perguntando se havia hospital nesta área fiquei sabendo que tinha o Hospital Colonia Santana que ficava em São José em estrada de chão e distante horas de Floripa. No outro dia já fui para o mesmo ficando trabalhando ali por 17 anos. Ao entrar em contato com um hospital psiquiátrico verifiquei que a Assistência psiquiatria toda dependia de Leis naquela época Decreto 24.559/34, além do Código Penal, Civil e Processual. Assim fui fazer Direito, antes mesmo fiz concurso para Professor de Enfermagem na UFSC e fui aprovado. Assim dois anos depois eu já estava em Ribeirão Preto da USP fazendo mestrado na Psiquiatria e ao mesmo tempo estudando Direito. Josel Correa

Nos dois anos que eu estaria lá tinha que terminar o Mestrado e o Curso de Direito. E assim aconteceu voltei para Florianópolis com o Direito concluído e logo em seguida defendi a Dissertação de Mestrado. Agora eu era Professor da UFSC, Enfermeiro, Assessor, Advogado no Hospital Colonia Santana e ainda advoguei por 8 anos até assumir na UFSC como Professor Dedicação Exclusiva e pedir demissão do Hospital Colônia Santana. Antes de ir para Ribeirão Preto casei com Walquiria Kruger Correa que também fez carreira na UFSC com mestrado, doutorado, e pós doutorado só que na área da Geografia. Quando assumi na Universidade Federal de Santa Catarina como professor titular passei a assumir cargos administrativos que me fizeram ter conhecimento sobre toda a Universidade. Preparei-me para a seleção do Doutorado em Direito fui aprovado e assim não havia mais porque ficar na Enfermagem por isto consegui ingressar no Curso de Direito assumindo ali as funções de Coordenador do Curso por 2 mandatos, terminei o Doutorado em Direito de Estado na UFSC, passei a atuar na Pós Graduação em Direito Agrário, Ambiental e na Geografia e também no Direito. Os conhecimentos da Psiquiatria e do Direito levaram-me a criar uma disciplina no Curso de Direito que se chamava Direito e Psiquiatria permitindo aos estudantes de graduação e pós-graduação realizarem suas monografias, dissertações e Teses de Doutorado. Desde 1996 passei a ser avaliador dos cursos de Direito do Brasil até hoje acumulando esta tarefa também para os Cursos de Enfermagem e também Avaliação Institucional.

Fiz pós doutorado em Processo Civil na UFPR tendo como orientador o Dr. Guilherme Marinoni. Contribui no Direito com 3 publicações de livros: O Recurso de Apelação em todas as suas dimensões, O Recurso de Agravo desde a sua origem, Um Estudo Jurídico e Político de Saúde Mental. Aposentei-me em 2004 como Professor da UFSC e hoje como já mencionei sou Avaliador do MEC/INEP. Hoje e sempre morei em São José mais especificamente no Bairro de Campinas.

Esta minha história pode ser melhor apreciada nos três livros que escrevi Sonho Eterno, Sonho de Verão e Sonho de Inverno que encontram-se depositados na Biblioteca de São Sepé. Terei imenso prazer se houver interesse dos Desgarrados quando voltar a São Sepé deixar um exemplar de Sonho Eterno.

 

O que lhe motivou a sair de São Sepé e quantas vezes ao ano vem ao município?

Hoje tenho vários parentes em São Sepé família Brum, Machado, Rosa e Correa e vou a São Sepé 2 a 3 vezes por ano para visitar minha mãe. Não tenho nenhum desejo sonho de voltar a viver em São Sepé, estou totalmente radicado em São José, Florianópolis, Urubici e Bombinhas ambas em Santa Catarina. Poderia dizer que amo Santa Catarina Estado que me recebeu permitiu que eu crescesse e me tornasse um cidadão com uma família maravilhosa, pois tenho uma sogra, duas fihas, dois genros e um neto.

 

O que acha de São Sepé?

Evidentemente que a gente sente saudades dos locais das pessoas, todavia o RS infelizmente não mantém e não protege os seus filhos que precisam sair de casa para conseguirem espaço. Em 2012 como forma de agradecimento a cidade fui a São Sepé lançar o livro SONHO ETERNO, doando a cada biblioteca de escola 5 volumes ao mesmo tempo dei uma palestra em 3 escolas: MAJÚ, TIARAJÚ e CERRITO exaltando e valorizando a Educação como forma de ascender socialmente. Fui até entrevistado pela rádio da Cooperativa.

É assombroso o número de pessoas que deixaram São Sepé e também o RS, ISTO nos indica que a nossa querida terrinha não deu ou não dá oportunidade aos seus filhos. Todavia existe uma diferença do Sulista com o Nordestino, pois o Sulista sai do RS para plantar soja, montar churrascaria ou mesmo profissionalmente levar os conhecimentos adquiridos na Educação enquanto que o Nordestino vai ser pau de arara ou cortar cana. Eu concluiria exaltando a força da educação, pois eu só ascendi socialmente em face da mesma.

Agradeço a oportunidade de mencionar minha história, acredito que este grupo dos Desgarrados pode oferecer campo para que muitas pessoas realizem dissertações de mestrado e até teses de doutorado. Com certeza o Grupo dos desgarrados se bem conduzido como vem sendo, no sentido de não permitir discussões políticas e religiosas, virá trazer grandes benefícios a todos nós desgarrados e a comunidade acadêmica. Continuo a disposição caso houver necessidade de esclarecer qualquer conteúdo não muito claro.

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