Entidades debatem altos custos de produção da lavoura arrozeira


Foto: divulgação

Os custos da lavoura arrozeira foram debatidos na segunda-feira, 24, em Brasília, durante reunião no Ministério da Agricultura (Mapa), com entidades representativas dos produtores gaúchos de arroz. Também estavam presentes ao encontro, agendado pelo deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), representantes do Ministério da Fazenda, do Banco do Brasil, Banco Central, Instituto Riograndense do Arroz (Irga) e da indústria.

A Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz) ressaltou a importância da presença do Mapa como mediador dos diversos temas que o setor vem tratando com o objetivo de desonerar o custo de produção. O economista Antônio da Luz, da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), apresentou um comparativo de custos com outros países, dando exemplo de alguns insumos que são muito mais caros no Brasil do que no exterior.

O vice-presidente da Federarroz, Alexandre Velho, colocou que a entidade está defendendo a redução da área de plantio, numa ação de ajuste de oferta. A iniciativa se deve ao eminente aumento dos estoques de passagem para a próxima temporada à medida em que todos os países que compõem o bloco do Mercosul são influenciados pelo mercado brasileiro. Conforme a Federarroz, se o mercado brasileiro estiver demasiadamente ofertado, certamente os demais países como Paraguai, Uruguai e Argentina, e mesmo o Brasil Central, sentirão fortemente os reflexos dos estoques elevados e superoferta, ou seja, preços não remuneradores.

Com relação à competitividade internacional, Velho sugeriu a criação de um reintegro que seria uma devolução de impostos pagos, como ICMS, PIS, COFINS. O custo da energia elétrica também foi abordado pelo dirigente. “É preciso promover uma ampliação do período denominado horário reservado e retirar totalmente a influência das bandeiras tarifárias das contas de energia do produtor rural”, salientou.

Outros pontos colocados pela Federarroz na reunião em Brasília foram a concorrência do Mercosul e o maior escalonamento no pagamento dos custeios. Quanto ao Mercosul, Velho disse que não é permitido aos produtores buscarem insumos e máquinas do outro lado da fronteira, isto os torna muito menos competitivos em função do valor muito maior do custo de produção brasileiro.

Na questão dos custeios, falou da necessidade de uma padronização e um maior alongamento das parcelas, passando os vencimentos de junho a novembro. “Também no tema do endividamento é importante que se consiga uma securitização, um prazo maior com juros compatíveis para o produtor que quer pagar as suas dívidas”, sinalizou Velho. Entretanto, o vice-presidente da Federarroz foi enfático ao falar que todas essas ações são de longo prazo e que o produtor de arroz brasileiro deve estar ciente das dificuldades para a próxima temporada.

 

 

Fonte: AgroEffective