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Setor vitivinícola prevê crescimento com alteração na cobrança de tributo


 

A cada dez garrafas de vinhos finos consumidas no Brasil, nove são importadas. De acordo com o diretor institucional do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Carlos Paviani, o fato de que apenas uma tem origem nacional mostra que estamos deixando de ocupar um importante mercado. O descompasso afeta diretamente o Estado, que tem a maior produção de vinhos, espumantes e derivados do país: 417 milhões de litros ao ano.

“Somos um setor que emprega de 70 mil a 80 mil pessoas no Rio Grande Sul. Estamos falando de cerca de 15 mil famílias só na Serra. Nos últimos anos, crescemos em área plantada, mas não crescemos em termos de mercado”, afirma Paviani.

Uma demanda antiga do setor ajudará a inverter essa lógica. Durante a abertura da ExpoBento e da Feira Nacional do Vinho (Fenavinho), em Bento Gonçalves, dia 14 de maio, o governador Eduardo Leite anunciou a extinção da substituição tributária (ST) na cobrança do ICMS de vinhos e espumantes.

Foto: Eduardo Seidl/arquivo

Pelo modelo do ICMS-ST, quem negocia uma mercadoria é obrigado a recolher o imposto mesmo antes de receber pela venda, provocando problemas no fluxo de caixa.

“A medida faz parte de uma lógica de enfrentamento à crise fiscal que também procura resolver questões de Estado, promovendo uma agenda de desenvolvimento para permitir que o setor produtor faça o que faz de melhor: produza”, disse o governador no evento.

Na prática, o fim do modelo adotado desde 2009 significa que a indústria deixará de concentrar e antecipar o imposto devido. Segundo o Ibravin, a ST havia criado um descompasso no fluxo de caixa das vinícolas, gerando queda de competitividade.

“Teremos mais condições de investir em outras áreas como comercialização e marketing. Se crescermos, todos vão ganhar. Crescemos em geração de impostos, empregos e renda”, entende Paviani.

Secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho explica que não haverá queda na arrecadação, mas a diminuição da burocracia.

“A substituição tributária travava o setor e colocava o peso do Estado em cima da indústria. Agora, as vinícolas estarão fortalecidas para concorrer com produtos de fora do Brasil”, destacou.

O governo do Estado prevê deixar de aplicar a ST a partir de 1° de setembro de 2019.

 

Entenda a demanda

A substituição tributária (ST) na cobrança do ICMS de vinhos e espumantes foi implementada em 2009, por solicitação das vinícolas gaúchas. Antes, o RS nunca havia concordado em incluir o vinho na ST, mas, considerando que outras unidades da federação a implementaram, foi preciso adotar o mesmo modelo.

O acordo entre o RS e outros Estados para implementar a ST estabeleceu um prazo maior de pagamento do ICMS (mês seguinte às operações) e engloba todas as vendas, o que facilita o fluxo financeiro e operacional para as vinícolas. Além disso, o principal agravante eram as margens de valor agregado aplicadas pelos Estados sobre as quais se pagava a ST do vinho.

Assim, o RS celebrou Protocolos ICMS com outros Estados destinatários do vinho gaúcho, facilitando o pagamento e definindo melhor as margens de agregação para o vinho nacional, que enfrenta grande concorrência dos vinhos importados.

Ainda de acordo com o setor, a descapitalização de algumas empresas fez com que contraíssem financiamentos e dívidas, que oneram o capital de giro das vinícolas, uma vez que a ST é paga com prazos bem inferiores ao prazo de recebimento do valor da venda ao varejo.

Sendo assim, os empresários pedem que o governo estadual elimine a ST para vinhos e para espumantes nas operações internas no RS. A medida pretende melhorar o fluxo financeiro das empresas nas vendas dentro do Estado.

 

 

Fonte: Governo do RS

 

 

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