Grupo investigado por tráfico de drogas movimentou R$ 95 milhões, aponta Polícia Civil

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Um esquema de tele-entrega de drogas de alto custo, investigado pela Polícia Civil desde 2021, movimentou R$ 95 milhões e deu origem a uma nova frente de apuração, desta vez voltada à lavagem de dinheiro. Deflagrada nesta quinta-feira, a Operação Mexicano, coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, resultou em 10 prisões. A Justiça havia decretado 11 mandados de prisão preventiva, mas um dos alvos não foi localizado.

De acordo com o titular da Draco, delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, a investigação financeira identificou um grupo responsável por movimentar recursos provenientes do tráfico por meio de contas bancárias e chaves Pix de diferentes pessoas. O dinheiro passava por transferências entre os investigados e, depois, era sacado para financiar a compra de imóveis e veículos ou retornar ao próprio esquema de venda de drogas. A operação também resultou no bloqueio de cerca de R$ 16 milhões em ativos e no sequestro de veículos e imóveis.

Segundo o delegado, o objetivo era dar aparência legal aos valores e permitir que fossem reinvestidos tanto no patrimônio dos envolvidos quanto na atividade criminosa. “Esses indivíduos presos hoje faziam com que o dinheiro vindo do tráfico de drogas, através de várias transferências recíprocas, recebesse uma aparência de dinheiro lícito”, explicou Martins Júnior.

A apuração é um desdobramento de um inquérito que investigou a comercialização de entorpecentes por tele-entrega e que resultou em 17 prisões em 2024. A nova etapa concentrou-se na estrutura financeira ligada ao grupo, com análise de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) encaminhados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e de dados bancários e fiscais obtidos mediante autorização judicial. O trabalho foi consolidado em um relatório técnico do Laboratório de Tecnologia de Combate à Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil.

A investigação também é um resultado do trabalho realizado entre 2021 e 2022, quando a Draco apurou um sistema de venda e entrega de entorpecentes divulgado em redes sociais e aplicativos de mensagens.

Na época, o responsável pela logística era conhecido como “GG”, apelido usado nas publicações para divulgar drogas apresentadas como diferenciadas em procedência e qualidade. “Eram drogas de alto custo, drogas sintéticas, cocaína, inclusive cocaína cristal. A maconha também era vendida como skank ou uma maconha conhecida como camarão”, relatou o delegado.

Conforme Martins Júnior, a estrutura era organizada e realizava entregas na Região Metropolitana de Porto Alegre, na Serra e no Litoral. Em fevereiro de 2022, a Polícia Civil prendeu “GG” e outros três suspeitos. Na ocasião, foram apreendidos cocaína, ecstasy, maconha, LSD, cetamina, haxixe e outras substâncias, além de dinheiro, celulares, uma máquina de cartão e dois veículos. Em maio daquele ano, uma nova fase da investigação levou à prisão de um casal em Novo Hamburgo e a outras apreensões de drogas.

Segundo o delegado, mesmo depois de ser recolhido ao sistema prisional, o investigado continuou ligado à atividade criminosa. Em 2024, o “GG” passou a usar o nome “Mexicano” nas publicações feitas no Instagram, WhatsApp e Telegram. A investigação que se seguiu aprofundou a análise da movimentação financeira associada ao tráfico.

“GG” está foragido desde julho

A Polícia Civil segue procurando o líder da organização, apontado como “GG”. Conforme o delegado, o investigado recebeu o benefício de cumprimento de pena em regime semiaberto com monitoramento eletrônico, mas rompeu a tornozeleira pouco tempo depois e passou à condição de foragido. “Ele se tornou foragido em julho de 2026, e o trabalho de toda a Polícia Civil é localizá-lo e capturá-lo”, afirmou Martins Júnior.

A Operação Mexicano cumpriu ainda 15 mandados de busca e apreensão e seis medidas cautelares alternativas à prisão. As diligências ocorreram em São Leopoldo, Novo Hamburgo, Portão, Imbé, Osório, Capão da Canoa, Charqueadas, Montenegro e Porto Alegre, com apoio da Polícia Penal.

Na estrutura investigada nesta nova fase, o cunhado de “GG”, identificado pelo apelido “MX”, é apontado pela Polícia Civil como responsável por organizar o núcleo financeiro. Conforme o delegado, ele teria reunido outras 10 pessoas para receber e transferir os valores provenientes do tráfico, sacar o dinheiro e direcioná-lo a investimentos em imóveis e veículos, além de financiar novamente a venda de drogas. A investigação também apurou que a maioria dos demais investigados não tinha antecedentes por crimes graves e foi alvo da operação por suspeita de participação na lavagem de dinheiro.

A Polícia Civil identificou um núcleo financeiro principal e outros investigados com participação periférica nas movimentações. Entre os indícios analisados estão o fracionamento de valores, a grande quantidade de operações via Pix, a incompatibilidade entre a capacidade econômica declarada e a movimentação bancária e o uso de contas para receber e redistribuir recursos. A presença de uma pessoa em comunicações de operações financeiras suspeitas, segundo a polícia, isoladamente, não comprova a prática de crime.

Fonte. Correio do Povo/Polícia Civil