Governo Leite investe no Corpo de Bombeiros Militar e fortalece resposta a eventos climáticos extremos

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O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) vem intensificando ações estratégicas para enfrentar possíveis impactos de mudanças climáticas. Diversos investimentos estão fortalecendo a capacidade de resposta da corporação a desastres ambientais. Na sexta-feira (24/4), o governador Eduardo Leite apresentou um balanço sobre as ações da gestão para deixar o Estado mais protegido em eventuais episódios relacionados ao clima e ao aquecimento global.

Dois anos após as enchentes que atingiram quase 95% dos municípios do Estado, impactando diretamente a vida de aproximadamente 2,4 milhões de pessoas, o foco é a prevenção e o controle de possíveis danos. Com a atuação do CBMRS, o governo tem a missão de mitigar riscos e garantir uma resposta ágil à população em situações de risco.

Esta matéria integra uma série de conteúdos informativos sobre os dois anos após a enchente de 2024. Com investimentos em diferentes áreas, o Plano Rio Grande já soma R$ 14 bilhões entre valores pagos, empenhados e aprovados por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Para além de projetos voltados à reconstrução de estruturas e lugares atingidos, o Plano Rio Grande resgata vidas e trabalha na construção do futuro do Estado.

Hoje, o Rio Grande do Sul conta com um conjunto estruturado de ações que ampliam sua capacidade de resposta e prevenção, tornando-o mais resiliente. Essa transformação não se limita à gestão de riscos climáticos, mas fortalece a economia, a infraestrutura e a capacidade institucional, preparando o Estado para enfrentar desafios e sustentar seu desenvolvimento nos próximos anos. O Rio Grande do Sul e o Brasil nunca tiveram, até aqui, um plano estruturado com essa finalidade.

Mais recursos para salvar vidas

Nos últimos anos, o governo estadual reforçou os investimentos na segurança pública, com mais de R$ 2 bilhões alocados em recursos e na reestruturação de estratégias e planos de ação em todas as suas vinculadas. Ampliações de efetivo e novos equipamentos, viaturas e embarcações, além de protocolos e instrumentos de prevenção, possibilitam que o CBMRS atue com ainda mais celeridade e eficácia em situações extremas.

nvestimento em resiliência

Desde as cheias de 2024, os investimentos em embarcações chegaram a R$ 45,5 milhões. São motores, botes e barcos de alumínio, infláveis, semirrígidos e modelos avançados de busca, salvamento e resgate. Estão previstos outros R$ 7,1 milhões para este ano.

São esperados:

  • 120 botes semirrígidos;
  • um helicóptero;
  • 12 caminhões-cesto;
  • oito viaturas Auto Busca e Salvamento (ABS), para o transporte de equipamentos de salvamento, desencarceramento e resgate;
  • quatro caminhões-guincho;
  • duas viaturas para mergulho;
  • seis viaturas de auto-oficina mecânica;
  • e dois veículos especializados para garantir o transporte seguro dos cães de busca e salvamento em missões de alto risco, essenciais para a formação de binômios (parceria entre bombeiro e cão).

O Corpo de Bombeiros Militar incluiu também em seu plano de modernização a aquisição de oito caminhões-plataforma para módulos logísticos e seis módulos de logística multimissão (contêineres), projetados para apoiar diversas operações em cenários de desastres, emergências ou apoio administrativo.

Centro de Controle Operacional de Bombeiros

Desde 2023, o CBMRS realiza o monitoramento das atividades operacionais de alta complexidade em todo o Estado por meio do Centro de Controle Operacional de Bombeiro (CCOB), integrando liderança situacional e prevenção de desastres. O sistema utilizado pelo CCOB permite georreferenciamento de ocorrências e visão regional e estadual, além do acompanhamento em tempo real das viaturas e guarnições.

Para garantir a eficiência, os bombeiros mantêm vigilância ininterrupta: 24 horas por dia, sete dias por semana. O Centro realiza monitoramento de alta complexidade e gestão de desastres, ao acompanhar ocorrências de grande magnitude com impacto social ou operacional. Além disso, faz o monitoramento geo-hidrometeorológico, com a gestão de desastres naturais que combinam processos geológicos (deslizamentos, fluxos de detritos) e hidrológicos (inundações, enxurradas, alagamentos). Nesse monitoramento, promove a integração de dados para antecipação e resposta com conexão entre centros regionais de operação de Bombeiro Militar (Cobom), Defesa Civil e inteligência.

Em março de 2026, a corporação passou a utilizar a plataforma Waze for Crisis para compartilhar dados em tempo real durante desastres ou emergências, o que ampliou a capacidade de gestão das operações. Ao integrar tecnologia de navegação colaborativa ao monitoramento e controle de ocorrências, a ação possibilita gestão do bloqueio de vias, isolamento de áreas de risco e definição de rotas de emergência em tempo real.

Aumento e qualificação do efetivo

Desde 2024, a Academia de Bombeiro Militar formou 202 soldados. Atualmente, 204 alunos soldados encontram-se em curso de formação, contribuindo para o aumento do efetivo do CBMRS.

Consolidando o aumento e a qualificação do efetivo para enfrentamento de eventos climáticos, entre 2024 e 2026, foram realizadas modificações no currículo dos cursos de formação de soldados, sargentos, tenentes e capitães. Além do reforço da temática em outras disciplinas já existentes nos cursos, foram incluídas as matérias:

  • Enchentes e Inundações;
  • Salvamento em Desastres I (Intervenção em áreas deslizadas);
  • e Salvamento em Desastres II (Enchentes, inundações e operações embarcadas).

Em complemento, o governo realizou capacitações do efetivo por meio dos cursos de:

  • Operador Aerotático;
  • Salvamento com Embarcação Motonáutica;
  • Busca, Resgate e Salvamento com Cães;
  • Piloto de Helicóptero;
  • Formação de Resgatista;
  • Capacitação da Força de Resposta Rápida; e
  • Curso Especial para Tripulação de Embarcações de Estado no Serviço Público.

Força de Resposta Rápida 

A instituição está investindo na preparação de militares, entre oficiais e praças, que irão compor a Força de Resposta Rápida (FR2). Além disso, os militares estão sendo capacitados para atuar como multiplicadores.

A prontidão é outra habilidade reforçada entre os bombeiros. A ideia é que, em caso de vulnerabilidade climática, cada região possua lideranças treinadas e prontas para coordenar operações complexas.

Reestruturação curricular

Em março deste ano, o CBMRS alterou o cronograma do Curso de Formação Básica de Soldados. Matérias que tradicionalmente seriam ministradas no último ciclo de formação foram transferidas para o primeiro.

As disciplinas priorizadas focam diretamente nos cenários mais prováveis causados pelo El Niño: salvamento aquático, intervenções em áreas deslizadas, busca e resgate em estruturas colapsadas e busca e resgate em inundações e enxurradas.

El Niño

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. As enchentes de 2023 e 2024 aconteceram no RS devido a uma combinação de fatores, como o bloqueio atmosférico causado pelas altas temperaturas no centro do Brasil, concentrando a chuva no sul do país.