Governo do Estado avança em projeto de reflorestamento de áreas afetadas pelas enchentes de 2024 com uso de tecnologia inovadora

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O governo do Estado realizou, na segunda-feira (4/5), uma visita técnica ao Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal (Ceflor), em Santa Maria, para acompanhar a produção de mudas destinadas à recuperação de áreas atingidas pelas enchentes de 2024. Com o uso de tecnologia inovadora, o processo permite reduzir o tempo de regeneração florestal, que normalmente leva de 20 a 30 anos, para cerca de cinco a oito anos.

A ação integra o Plano Rio Grande, programa de Estado, liderado pelo governador Eduardo Leite, criado para proteger a população, reconstruir o Rio Grande do Sul e torná-lo ainda mais forte e resiliente, preparado para o futuro. Parte das mudas produzidas no Ceflor integra o Projeto Reflora, coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema).

Os representantes da Sema e da Seapi realizaram o plantio de sementes nativas da espécie grápia, coletadas a partir das matrizes identificadas no projeto, e conheceram, na prática, o processo de produção de mudas voltadas à implantação de sistemas agroflorestais.

Durante a visita, a secretária Marjorie Kauffmann destacou a relevância da iniciativa para a recuperação ambiental e para o fortalecimento da resiliência do Estado. “A produção de mudas nativas é um passo fundamental para devolver a cobertura vegetal às áreas que perderam sua proteção natural. Isso não é apenas recuperação, mas também prevenção, para reduzir os impactos de desastres como os que vivemos”, disse. “Estamos trabalhando com base em ciência, inovação e cooperação para acelerar a recuperação das áreas atingidas e fortalecer a resiliência do Estado”, ressaltou a secretária.

Recuperação da flora gaúcha

O Reflora prevê a reintrodução de mais de 6 mil mudas de aproximadamente 30 espécies florestais nativas dos biomas Mata Atlântica e Pampa, com o objetivo de recuperar a flora gaúcha impactada pelas enchentes. Na primeira fase do projeto, foi concluída a identificação de árvores matrizes por universidades do Estado. Ao todo, cerca de 290 indivíduos de 29 espécies nativas foram mapeados em 13 municípios: Porto Alegre, Eldorado do Sul, São Jerônimo, Montenegro, Taquari, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Santa Maria, Faxinal do Soturno, Silveira Martins, Itaara, Dona Francisca e Restinga Seca.

Parte dessas matrizes já passou por processos de enxertia, e a produção será intensificada nos próximos meses. As mudas são desenvolvidas com técnicas como resgate de DNA, enxertia e indução de florescimento precoce, metodologias desenvolvidas pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). A iniciativa tem duração prevista de três anos e investimento privado estimado em R$ 7,5 milhões, envolvendo a articulação entre governo, universidades e setor privado. Além do Ceflor, a produção ocorre em outras estruturas, como o Jardim Botânico de Porto Alegre e viveiros de instituições parceiras.

“Temos avançado de forma consistente neste projeto, em conjunto com todos os parceiros, especialmente as universidades, com o objetivo de recuperar a flora nativa do Rio Grande do Sul, severamente impactada por eventos climáticos recentes. Paralelamente, estamos estruturando áreas voltadas à produção de sementes e mudas de alta qualidade, como a iniciativa que acompanhamos aqui no Ceflor, em Santa Maria”, destacou o secretário-adjunto da Seapi.

Reconstrução ambiental em áreas atingidas

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul causaram danos ambientais expressivos, especialmente com a degradação da vegetação nativa em margens de rios e áreas de amortecimento. Nesse contexto, a recomposição florestal é apontada como uma das medidas mais eficazes para reduzir a vulnerabilidade de bacias hidrográficas a eventos climáticos extremos.

O Ceflor é um dos principais centros estaduais dedicados à pesquisa, diagnóstico e produção de sementes e mudas florestais nativas, desempenhando papel estratégico na execução de políticas públicas ambientais, florestais e climáticas. Além do Reflora, o centro desenvolve ações como o Projeto de Reposição Florestal Obrigatória (RFO), coordenado pela Sema, voltado à qualificação da cadeia de sementes e mudas na Região Central, com foco no Corredor Ecológico da Quarta Colônia. O centro também integra iniciativas financiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), no âmbito do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em Desastres Climáticos – Uma Só Saúde.

Sobre o Projeto Reflora

Lançado em março de 2025, o Projeto Reflora tem como objetivo recuperar a flora nativa do Rio Grande do Sul afetada pelas enchentes de maio de 2024. Além da Sema e da Seapi, a iniciativa conta com a participação da CMPC, da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e de instituições de ensino do Estado, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) e a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).

Texto: Tamires Tuliszewski/Ascom Sema
Edição: Secom