EDITORIAL – Sempre fomos irmãos.

 

O clima é de um até breve e pega no contrapé os mais avessos às grandes mudanças. A segunda quinzena do mês de março de 2020 é daquelas que certamente ficará registrada na memória. Em um final de semana com cara de despedida muita gente começa definitivamente a se recolher e, principalmente, se ajoelhar a uma latente possibilidade de disseminação do coronavírus.

A verdade é que estamos diante de uma história em que apenas os primeiros capítulos estão escritos e que não temos – pelo menos por enquanto – nenhuma certeza do impacto social que tudo isso representará.

Por ora, um vírus surgido lá do outro lado do mundo nos lembra que embora toda evolução tecnológica, ainda somos bastante vulneráveis.
Suscetíveis na saúde, mas ainda muito fortes nas relações sociais, tão desgastadas por um sem número de assuntos. O noticiário 24h que assusta também define que o cenário é sem precedentes. Preocupação que vem derrubando barreiras e se tornado sinônimo de ressignificação.

Isso porque embora ainda haja os muitos que parecem não ter assimilado a proporção devastadora do que pode vir, é fato que a grande maioria voltou a dar as mãos.
E se pararmos pra pensar…sempre vivemos como antagônicos irmãos, daqueles capazes de brigar feio e, segundos depois, voltar a se amar como se nada tivesse acontecido.
Com todas nossas diferenças passamos juntos por crises econômicas e políticas e, sem reduzir a sua proporção, por nervosos debates diários em que nossa opinião parece ter sempre o dever de se sobrepor e ditar as regras. Parece ruim e estressante, mas de alguma forma, superamos tudo.

O momento é outro. Fica pra outra hora a truculência e a discussão. É tempo de cuidarmos uns dos outros.

Isolar-se em casa até parece ser desafio banal para uma sociedade em que o domínio dos smartphones atinge quase todas as camadas e faixas etárias. Se ainda discorda considere uma crise da mesma dimensão há cerca de 10 anos e perceba tamanha devastação.

Sair da rotina não é tarefa fácil, mesmo quando nos damos conta de que, agora, temos tudo o que sempre desejamos: chegar em casa e se atirar no sofá.
Não sabemos como vamos sair do outro lado. Mas, de antemão, sabemos que a grande maioria ainda rema no mesmo sentido e que, passada a ameaça, vamos fazer desse período uma chance de redefinir nossas prioridades.

E vamos conseguir.

 

 

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