Donos de quadras esportivas comentam paralisação das atividades em São Sepé


 

Fotos: reprodução

 

Com as atividades paralisadas há aproximadamente seis meses por conta das restrições impostas pelas bandeiras no modelo de Distanciamento Controlado, as quadras esportivas de São Sepé ainda seguem com a situação indefinida quanto à reabertura.

Sem poder trabalhar, o empresário Ricardo Borba (Bigu) reivindica a reabertura de seu espaço esportivo, a Deutsche Arena. “Estou indo para 6 meses sem poder trabalhar com minha principal atividade econômica. Nesses longos e árduos dias, minha classe está simplesmente ignorada e “atirada” por todos. Não havendo uma única esperança e previsão concreta de retorno de nossas atividades”, desabafa Bigu.

Diante deste cenário, Bigu conta que sempre escuta e mesma resposta: “mas futebol não é prioridade”. Mas, para ele, o futebol é um dos mais completos exercícios físicos que existe no mundo. Ele defende que o trabalho desenvolvido pela Deutsche Arena é prioridade e mais importante ainda mais em período de quarentena, já que a atividade apresenta benefícios na saúde mental.

O empresário ainda questiona o fato de alguns empreendimentos enfrentarem aglomeração. “Ah, mas futebol é contato direto, por isso tem um grande risco de contágio do vírus. Sim, mas e nossos supermercados totalmente lotados, bancos, filas, academias, e outras milhares formas de contágio? São esquecidos ou não querem enxergar!?”, questiona.

Bigu destaca que a atividade esportiva amadora é a única que não retornou às atividades e, segundo ele, é taxada como a “mais perigosa”. “Sendo que é o único que não teve culpa nenhuma de todas essas mortes. Gostaria de entender os critérios das atividades físicas e esportivas que já voltaram, tenho certeza que os nosso protocolos junto com as pesquisas que já saíram é o ramo menos grave para o contágio. Muitos falar que o futebol não é essencial, para mim, todo trabalho que gera sustento familiar, traz renda e que é empregador é sim um serviço essencial”, salienta.

Bigu espera que a atividade volte ao normal. “Eu não preciso que converse comigo ou me receba para falar sobre meu problemas, quero que me deixem trabalhar, só isso. Não estou pedindo nada a mais do que o meu direito de trabalhar!”. Ele ainda cita a possibilidade dos eventos retornarem. “Os eventos vão voltar, a princípio semana que vem. Eles realmente têm menos risco que o futebol ou é por questões financeiras, questões políticas ou é porque mexe com um classe maior?”, questiona Bigu.

O empresário participou recentemente de uma manifestação em Porto Alegre dia 27 de agosto, em frente ao Palácio Piratini (foto abaixo), promovida por donos de quadras esportivas do RS que reivindicam o retorno às atividades ainda em setembro. Na oportunidade, eles foram recebidos pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo, e pelo secretário estadual de Esportes e Lazer, Francisco Vargas.

 

Foto: divulgação

 

Proprietário do campo Show de Bola, Tomás Leão conta que está há 6 meses com as atividades paralisadas. “A pandemia afetou total as atividades esportivas, estamos sem realizar jogos há quase 6 meses. Não abrimos parcial, seguimos todas as orientações que nos foi passado”, comenta.

Segundo Tomás, no local são realizados apenas treinos funcional e personal, atividades onde ficam somente professor e aluno. Eles usam máscara e seguem os protocolos estabelecidos pelas autoridades.

“É complicado o fechamento, nos prejudicou financeiramente todo esse tempo, mas entendo, não é culpa de ninguém. Vamos aguardar para que possamos voltar todos em segurança”, destaca Tomás.

Já o professor Edson Casanova, proprietário do Centro Esportivo Casanova, prefere ser cauteloso quanto à reabertura de seus campos de futebol.

“A pandemia causou globalmente mudanças profundas em todas áreas de atuação, provocando desdobramentos e atitudes que ainda estão ocorrendo. Em nosso município não foi diferente. E seguindo as orientações da O.M.S. e dos decreto-lei federal, estadual e municipal, foram canceladas as atividades desde o dia 17 de março”, explica.

Edson conta o motivo de ser contra a reabertura. “Como profissional de educação física e tendo como filosofia de trabalho do Centro Esportivo Casanova “Saúde e Lazer” e por priorizar a vida antes dos interesses econômicos, somos contra. O futebol é um esporte dinâmico de contato físico e somos cumpridores da lei que proíbe jogos coletivos amadores”, comenta.

 

O que diz a Prefeitura de São Sepé

Segundo o procurador jurídico do Município, Cláudio Adão Amaral de Souza, o município ingressou com ação judicial e aguarda julgamento da liminar. O pedido é para que a gestão desse tipo de tema seja feita pelo município, e não pelo Estado somente.

Conforme o procurador, por enquanto, quem determina o que pode ou não pode funcionar é o Estado. O resultado do pedido feito pela procuradoria deve sair nos próximos dias.

 

 

 

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