Alvará dos bombeiros da kiss venceu em agosto de 2012, diz testemunha Gerson da Rosa Pereira

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O chefe de Estado Maior dos bombeiros de Santa Maria na época da tragédia da Kiss, Gerson da Rosa Pereira, prestou oitiva na tarde  hoje sobre a atuação do corpo de bombeiros na noite da tragédia. O bombeiro respondeu por processos na justiça militar, mas foi absolvido.

Pereira foi categórico em dizer que, apesar de estar sem alvará dos bombeiros renovado, a boate estava adequada e atendia todas as exigências da lei na época da tragédia. “Era preferencialmente uma saída de emergência, e tinha”, disse ele.

Quando o Ministério Público (MP) questionou a respeito do alvará dos bombeiros para funcionamento da kiss ter vencido em agosto de 2012, Gerson falou que isso não era passível de interdição do local na época. “Eles só deviam apresentar um plano de prevenção contra incêndio (PPCI) aos bombeiros, mas isso não era motivo para interdição”, alegou.

A lei kiss, criada em 2013, após o incêndio, não pode ser aplicada neste julgamento, já que a lei foi feita depois do evento. Por isso, a justiça avalia o que estava vigente na época. Logo, hoje, sem alvará dos bombeiros, um estabelecimento não pode funcionar.

Gerson disse que houve um descontrole operacional no dia 27 de janeiro, pois, segundo ele, a situação atípica, pegou os órgão públicos de surpresa. “Chegou a ser sugerido levar os corpos das vítimas para Porto Alegre, achei inviável. Como trabalhei na Polícia Rodoviária Estadual, vi que seria irresponsável fazer as famílias pegarem a estrada. Inverti a logística, pedi que os profissionais legistas necessários para autópsia viessem para Santa Maria”, afirmou.

O bombeiro disse ainda que a ideia de levar os corpos para o Centro Desportivo Municipal (CDM), foi dele, para que todos ficassem no mesmo lugar.

Sobre a estrutura da boate, o bombeiro disse que nenhuma vítima morreu por carbonização, ou seja, por conta do incêndio, e sim, por asfixia. “Pode-se concluir que as mortes foram causadas por asfixia, queima do oxigênio, e também mecânica, causadas pelo contato entre as pessoas na hora de procurar saída”. completou.

Gerson da Rosa Pereira respondeu por fraude processual por conta de suposta alteração de dados na entrega de documentos dos bombeiros a polícia civil. Conforme a investigação, o bombeiro teria alterado dados do número de público na boate na noite da tragédia e do plano de prevenção de incêndio.  “Eu não teria interesse nenhum em fraudar os documentos. O inquérito produziu vaidades próprias”, disse ele, ao se defender das acusações, alegando que ele precisou fazer o cálculo populacional da casa noturna como estimativa de público.