Saiba “Por Onde Anda” o sepeense Rafael Pires

O convidado desta semana do quadro “Por Onde Anda, Sepeense?” é o sepeense Rafael Pires.

“O Sepeense” lembra que este espaço vale também para aqueles e aquelas que não nasceram em São Sepé, mas que de uma forma ou de outra possuem ligações com o município e se sentem sepeenses de coração.

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Trajetória

Ainda que não tenha nascido em São Sepé, é onde qualquer lembrança de minha infância ou juventude ocorre. Foi por essa razão que fiz questão de fazer constar no quadro de formatura da graduação a minha naturalidade sepeense. A menção da formatura dá, aliás, uma boa diretriz para conduzir o breve relato da minha história: as instituições de ensino às quais estive vinculado até aqui.

Comecei na “Escolinha da Vovó”, como era conhecida a Escola João XXIII à época (não sei, até hoje, quem era a vovó da escolinha). No ano seguinte fui para o Mário Deluy, onde cursei da primeira à sexta série do Ensino Fundamental. Não havia como continuar porque a sétima e oitava séries não eram lecionadas lá. Fui então para o Tiaraju e, em seguida, já no Ensino Médio, para o CESS (Colégio Estadual São Sepé).

Passei no PEIES (Programa Experimental de Ingresso ao Ensino Superior), como eram chamadas as provas do “vestibular parcelado” ao final de cada ano do Ensino Médio, para o curso de Ciência da Computação na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria). Foi quando saí de São Sepé, aos 16 anos, para morar em Santa Maria. Concluída a graduação, fui para Florianópolis cursar o mestrado na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), que concluí aos 23 anos. Foi nessa época que conheci minha esposa, em Santa Maria, em algum feriadão no qual aproveitei a visita à família para ir a um Baile de Formatura da UFSM.

Cansado de tanto estudo, parti para o trabalho na iniciativa privada. Trabalhei em 3 empresas: na área de hardware para telefonia, de interceptação legal de dados e de máquinas de corte e gravação a laser. Em seguida, passei em concurso público, quando passei a trabalhar com computação forense, no MPSC (Ministério Público do Estado de Santa Catarina). Cansado do marasmo, resolvi fazer um segundo mestrado, desta vez em Mecatrônica, no IF-SC (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina), ocasião em que pude trabalhar com robótica, em máquinas de soldagem.

Retomei o gosto pelos estudos e resolvi fazer doutorado em Ciência da Computação, o que me trouxe para onde estou agora: Neuchâtel, Suíça. Uma cidade simpática, pouco maior do que São Sepé em relação ao número de habitantes, na beira de um lago que leva o mesmo nome e que de onde, além da outra margem, se enxergam os Alpes.

 

O que lhe motivou a sair de São Sepé?

A falta de motivos para ficar, e a vontade de conhecer novos ares, ter novas experiências, progredir.

 

Quantas vezes ao ano vem a São Sepé?

No ano passado, devo ter ido três vezes, mas ainda morava em Florianópolis. Agora que é preciso cruzar um oceano, a frequência deve diminuir.

Tenho saudades da família, da época de colégio, das amizades, festas, gincanas, bailes, carnavais etc. Essas saudades são indissociáveis de São Sepé. Em tempos de WhatsApp, Skype, Messenger e Facebook, entretanto, o contato com as pessoas está mais fácil. Recentemente, inclusive, foi criado um grupo de WhatsApp dos colegas da época do Mário Deluy, aproximadamente 20 anos depois de sairmos de lá. É difícil de acompanhar as quase 2000 mensagens diárias, mas é muito legal voltar a ter contato com o pessoal e relembrar as histórias da época.

Também acompanho as notícias d’O Sepeense e de outros jornais on-line da região. Acho graça da quase paradoxal expressão “interior de São Sepé” que encabeça algumas manchetes para se referir à zona não urbana da cidade.

 

Pretende ainda voltar algum dia para morar?

Não pretendo, o que não significa que nunca vá.

Há algo no ar de São Sepé e Santa Maria que me causa rinite alérgica; diferentemente de outros locais em que vivi. Além disso, gosto de cinema, grandes lojas de eletrônicos, de nadar em piscina aquecida e de Universidades.

 

O que acha de nossa cidade?

Tenho boas lembranças de São Sepé, e sou grato por ter crescido lá. Como, hoje, apareço muito pouco, não sei dizer com precisão o rumo que toma a cidade. Ouço sobre crimes e violência, mas são essas coisas que viram notícia. Não dá pra formar opinião somente com base nelas.

De experiência própria, acredito que por coincidência, nas 3 vezes em que estive na cidade ano passado houve chuva e/ou vendaval e, por consequência, queda de energia e falta d’água. Não por horas, mas dias. Algo relacionado à falta de gerador na estação da cidade e a um motor de captação que fica soterrado de entulho trazido pela enxurrada. Qualquer que seja a causa, são problemas que deveriam ser solucionados assim que detectados. Mas nem sempre é assim.

Percebo também que há novas construções, prédios, reformas, grandes lojas. Há progresso, e espero que a cidade continue nesse caminho, que evolua, sem perder as coisas boas: as junções entre amigos, o chimarrão em frente à casa e o passeio de domingo à noite na praça.

Um grande abraço aos sepeenses!