Obino

O valor de uma vida – Elaine dos Santos


 

Quanto vale uma vida? Nos romances de Jorge Amado ou em filmes sobre o cangaço, geralmente, vidas tinham preço. E hoje em dia? Quanto vale uma vida nos corredores de um grande hospital público? Quem faz “textão” nas redes sociais quando um pai ou uma mãe de família, depois de esperar dias ou semanas por um leito, acaba falecendo sem atendimento, sem a cirurgia que lhe era necessária?

Qual o valor da vida do menino que se inicia precocemente no consumo de drogas? Mas qual o valor da vida de uma mãe que sai, diuturnamente, em busca desse filho, enfrenta traficantes, bocas de fumo para supostamente salvar o seu menino? Quem fará “textão” quando mãe e filho sucumbirem?

Qual o valor da vida de um político atuante em prol da causa dos direitos humanos como a vereadora assassinada no Rio de Janeiro, preta, pobre, bolsista Prouni? Que valores diferenciam a vida da vereadora e a vida da policial catarinense assassinada numa cidade litorânea do nordeste? O fato de a policial ser loira, olhos azuis, tipo caucasiano? E a moça grávida morta no sul do Estado? Não existe diferença, todas eram mulheres jovens que escolheram ser livres e apenas viver. Elas eram filhas, mães, esposas, tias, madrinhas, não existe termo de comparação que faça uma melhor que a outra. Cada vez que uma pessoa posta um comentário incitando a diferenciá-las, propondo que a vida de um marginal vale mais que a vida de um policial, que a vida de um rico vale mais que a vida de um pobre, essa mesma pessoa está, na verdade, disseminando o ódio.

Por favor, menos ódio, menos intolerância… Um dos meus professores de faculdade costumava lembrar que a mesma mão que aponta um dedo para o outro é aquela que aponta três dedos para nós mesmos. Quanto mais atacarmos – enfurecidos e desrespeitosamente – aqueles que pensam diferente de nós, mais estaremos promovendo aquilo que, supostamente, somos contra: o ódio, a intolerância.

Se, de fato, adotarmos a Lei de Talião, como alguns postulam, em pouco tempo, acabaremos todos cegos e desdentados.

 

 

Professora Elaine dos Santos

Doutora em Letras

Contato: e.kilian@gmail.com