EDITORIAL

O barulho da falta de cidadania é mais ensurdecedor do que os amplificadores de som

Bastaram menos de três meses para que o assunto voltasse a ganhar notoriedade. E isso muito gente já imaginava. A decisão de restringir a determinados horários pontos de estacionamento ao longo da Avenida Getúlio Vargas (principal acesso ao município), reduziu – de fato – os transtornos provocados naquele ponto. Mas muito além disso, a medida gerou aos mais atentos uma linha de pensamento que não trata o caso como problema de trânsito, tampouco, de desobediência às leis, mas sim como uma questão primordialmente de educação.

A decisão do dia 30 de dezembro de 2015 parece não ter sido a mais acertada, porém, atingiu em cheio e resolveu o questionamento de centenas de moradores e de parte da sociedade. Alguns dias depois, pequenos ajustes baseados em bom senso e diálogo devolveram aos comerciantes das proximidades da Getúlio Vargas a possibilidade de atender com mais conforto os clientes. Fim de papo à polêmica do “Bar do Simon”.


A migração dos jovens não demorou muito e a bola da vez volta a ser parte da Rua Sete de Setembro onde já há os incomodados com aparelhos de som, pessoas sobre a via de circulação, e imprudências no trânsito.

Também é nas redes sociais que a “galera” questiona as autoridades para que dediquem um espaço próprio para som automotivo. Pedimos desculpas de antemão. Mas ou falta conhecimento ou, no mínimo, sensatez. Qual gestor (seja de nível nacional, estadual ou municipal) irá abonar um local onde álcool, direção, menores de idade ou todo tipo de excesso possa se tornar algo institucionalizado. Será que os mesmos “juízes do facebook” não serão os primeiros a sentenciar quando algo errado ali acontecer? Vale a reflexão.

Por outro lado, já sabemos que varrer o problema para debaixo do tapete também não é a melhor saída. E para não corrermos o risco da hipocrisia, quem nunca….!? E aí entramos no debate central: onde está a linha tênue entre diversão e educação?


A reivindicação pela redução da perturbação do sossego não é uma afronta a diversão dos jovens. Incomoda muito mais saber que há uma geração inteira crescendo sem educação ou, ao menos, sem um nível tolerável de convivência em harmonia. O barulho da falta de cidadania é muito mais ensurdecedor do que o dos amplificadores de som.

Este debate deveria vir de casa ou de dentro das escolas (não custa deixar de lado por um dia aquela aula não muito convidativa de física, matemática, português, etc). Faltam também doses substanciais de bom senso de parte dos jovens que ainda confundem diversão com falta de limites. À estes, o conselho é para que apostem numa receita das mais simples e prazerosas da vida: amigos, cerveja, um bom papo e, porque não, música. Tudo moderado.

Apesar de pequena, a cidade ainda oferece uma mão cheia de bares e lugares para curtir. Mas…se a ideia é mesmo aproveitar a noite na rua, primeiro vale uma autoanálise sobre que tipo de comportamento estamos tendo e onde estão os nossos excessos.

Caso contrário, seguiremos no mesmo impasse e os bons (certamente a maioria) seguirão pagando uma conta que, além de injusta, não tem data para ser quitada.

 

 

*Editorial Osepeense.com