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28 / 05 / 2022
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QUE O NEGRO NÃO SEJA DE LUTO – Francisco Melgareco Benine


 

Foto: divulgação

 

Porto Alegre, 4 de março de 1986, Hospital Conceição. Nascia naquela manhã uma criança branca e sua mãe não tinha leite. No mesmo quarto, uma mulher negra que amamentava seu filho observa a cena e então diz: “- Se importa que eu tente?” O colocando em seu seio e imediatamente sanando o seu choro.

Esta é uma simples história, mas que pode trazer algumas reflexões. Primeiro quanto ao instinto humano, que reconhece todo ser humano como puro e simples ser semelhante a si. Todas as pessoas nascem puras, sem a maldade que é adquirida com o passar do tempo, seja por má educação, influência da sociedade, do seu círculo de pessoas próximas ou até mesmo por decisão própria baseada em alguma outra influência negativa.

A essência de uma criança é o exemplo que deveríamos observar nos momentos em que se constata ou se flagra algum ato de preconceito. Vinte séculos e mais 20 anos, mais o tempo de nossa existência antes de Cristo e ainda há, por incrível que pareça, uma intolerância sobre diferença de cor de pele em um planeta completamente miscigenado entre raças e diferentes tipos de etnias e origens. Muito foi dito em relação ao assunto em todo esse tempo que as vezes parece clichê, mas cada vez mais, condenar o racismo é um ato soberano de humanidade.

Enquanto houver algum indivíduo discriminado por sua raça, ou tendo a avaliação de sua cor como documento de caráter, não pode haver paz. Não deve e não haverá paz. Acontecimentos absurdos, notícias terríveis sobre racismo não faltam, infelizmente. Por outro lado, aumenta cada vez mais o tom da voz das pessoas ofendidas e de toda pessoa de bem que deseja que um dia isso tenha um fim. Escolher o lado certo e amplificar esse “coro”, isso sim é uma questão de caráter.

É triste constatar que muito mais teria para abordar (e principalmente lamentar) sobre um assunto que deveria ser caso vencido, mas que não caberia em um simples texto. Em um mundo cada vez mais inóspito e difícil de viver, a união entre povos ainda pode ser de longe um fio de esperança. Apesar de ainda termos alguns “líderes” mundiais com pensamentos totalmente retrógrados e ofensivos, temos ainda a maior força que sempre mudou a história: o povo e sua voz.

Então não importa a sua cor, não se cale. Se há uma guerra em que vale a pena lutar é a guerra contra aqueles que não permitem a paz entre todos. Afinal, nunca se sabe de quem vai precisar, quem vai te dar a mão, ou até então matar a sua fome. Eu nasci em Porto Alegre, 4 de março de 1986, Hospital Conceição, minha mãe não tinha leite. Eu fui amamentado por uma mulher negra, e sou muito grato por isso.

 

 

 

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