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Ministério Público denuncia 12 taxistas por agressão em Caçapava do Sul


Foto: Polícia Civil / Divulgação

 

O Ministério Público denunciou, na manhã da última terça-feira, 12 taxistas de Caçapava do Sul envolvidos na agressão a um motorista de aplicativo no mês passado. A reportagem é do Diário de Santa Maria.

De acordo com o Ministério Público, as 12 pessoas planejaram, com reuniões prévias, a emboscada e a agressão contra o motorista de Uber. Dez taxistas – incluindo o vereador Alex Vargas Nunes – foram indiciados pela Polícia Civil. As duas pessoas a mais, que foram denunciadas pelo MP, teriam participado dessas reuniões. Um deles, é o presidente do Sindicato dos Taxistas do município. Segundo o MP, na casa dele foram encontradas toucas ninjas.

Os 12 foram denunciados pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe com emboscada, organização criminosa e furto qualificado (na noite do crime, foram levados R$ 500 e um celular da vítima). Quatro suspeitos estão presos preventivamente desde o dia 17 de setembro: o vereador e taxista Alex Vargas Nunes, o filho do vereador Alesson Dias Nunes, o presidente da Associação dos Taxistas da cidade Irivelto de Jesus Machado Moreira e o taxista Felipe dos Santos Moreira.

De acordo com a denúncia, assinada pelo promotor Diogo Taborda, o ataque a foi previamente organizado em diversas reuniões ocorridas no ponto de táxi da rodoviária. Segundo o MP, foi o vereador quem tomou a iniciativa de executar a emboscada planejada contra a vítima.

Agora, cabe a Justiça aceitar ou não a denúncia dos 12 taxistas. O Diário tentou contato com a defesa dos suspeitos, mas as ligações não foram atendidas.

 

O caso

No dia 11 de setembro, às 20h20min, o motorista de app foi a um estacionamento da rodoviária de Caçapava do Sul pegar um passageiro. Menos de um minuto depois, chegam cinco homens em um táxi. A câmera de vigilância do estacionamento flagrou quatro deles colocando máscaras no rosto. Outros cinco taxistas chegam em seguida para participar da emboscada.

Parte dos denunciados ficou na entrada da garagem para impedir que a vítima pudesse fugir do local, enquanto que o vereador e seu filho foram os primeiros a abordar a vítima. Às 20h21, de acordo com a denúncia, Alex deu uma gravata no pescoço do motorista e o retirou de dentro do veículo, enquanto que os demais denunciados cercaram o carro. Em seguida, Alex deu um chute na cabeça da vítima, e todos os outros passaram a agredi-la com chutes e socos, já com ela caída ao chão.

O MP relata que, um minuto depois, às 20h22, os denunciados começaram a sair do local, pois o responsável pela garagem gritou para que parassem e que iria chamar a Brigada Militar. Em virtude de um chute na nuca, a vítima desmaiou e voltou a si por volta de 15 minutos depois, quando o Samu chegou ao local. O promotor salienta que o motorista de aplicativo só não faleceu porque recebeu atendimento médico eficaz. Mesmo após a agressão, a vítima relatou que continuou sendo ameaçado pelos taxistas.

O Ministério Público entendeu que o crime ocorreu por motivo torpe, visto que os denunciados, na condição de taxistas, objetivavam intimidar, ameaçar e impedir que o serviço de Uber fosse prestado na cidade. Também agiram de emboscada, pois organizavam havia dias a estratégia.

Apesar de ser o primeiro caso de agressão a motorista de aplicativo em Caçapava do Sul, a polícia já havia registrado ameaças na cidade. Os suspeitos já haviam sido mencionados em outros casos.

 

 

Fonte: Diário de Santa Maria

 

 

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