Obino

Grupo de dança de São Sepé é alvo de ataques racistas


 

Foto: reprodução

O racismo no Brasil é crime previsto na Lei n. 7.716/1989, e inafiançável e não prescreve, ou seja, quem cometeu o ato racista pode ser condenado mesmo anos após o crime.

Nesta semana, a Invernada Artística Tio Mino do CTG Ronda Crioula, de São Sepé, registrou ocorrência na Polícia Civil após ser alvo de ataques racistas na internet.

De acordo com a patroa do CTG e coordenadora do grupo de dança, Maristela dos Santos, os ataques contra o grupo começaram ainda em 2018 durante a realização do Enart, em Santa Cruz do Sul. Ela conta que durante a transmissão ao vivo da apresentação da invernada, em um canal no YouTube, algumas pessoas que estavam assistindo começaram a proferir palavras ofensivas contra a Invernada Tio Mino.

Frases como “lixo”, “vai passar vergonha”, “olha aquele gordo sem camisa”, “ronda é um lixo”, foram postadas por usuários que assistiam a apresentação do grupo. “Na época fizemos um Boletim de Ocorrência, mas ficou por isso mesmo. Não deu em nada. Foi só nosso grupo sair novamente que começaram os ataques”, conta Maristela. No dia 18 de novembro de 2018, após sofrer as ofensas, o grupo procurou a polícia para registrar uma ocorrência de injúria.

Nesta semana, o grupo voltou a procurar a Polícia Civil para registrar mais uma ocorrência. Desta vez, os ataques aconteceram em uma rede social chamada F3 (foto acima), onde os usuários do aplicativo de perguntas e respostas comentam anonimamente.

Recentemente duas integrantes da Invernada Tio Mino receberam mensagens de discriminação, nas quais uma pessoa teria mandado a mensagem “teu CTG já trocou de indumentária ou vai seguir igual uns negros nojentos?”.

Conforme a Delegada Carla Dolores Castro de Almeida, a Polícia Civil de São Sepé vai investigar as denúncias para apurar a autoria das mensagens contra a invernada do CTG Ronda Crioula. Segundo a titular da Delegacia de Polícia, o caso se configura como injúria qualificada. Este caso consiste em ofender a honra de alguém com a utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem. Injuriar alguém ou algum grupo prevê prisão de um a três anos e multa.

“Penso que infelizmente chegou até o nosso meio tradicionalista a discriminação, o preconceito e temos que fazer algo pra não se expandir, não se propagar, por isso estamos denunciando nas mídias e polícia, percebemos que é algo direcionado exclusivamente ao grupo Tio Mino. Os componentes do grupo estão muito chateados, tristes porque já vem desde do Enart do ano passado e agora novamente. Eu como patroa e coordenadora que fui não posso ficar de braços cruzados, vamos apurar e descobrir quem está por trás disso tudo e levarmos até o MTG, que é o órgão maior do nosso movimento tradicionalista.”, comenta Maristela.

Denunciar é importante, isso prova que “internet não é terra sem lei” e há punições.

 

 

 

 

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