Coronavírus, o videogame da vida – Pedro Corrêa


 

Se a vida fosse um jogo de videogame, agora seria aquele momento que entregamos o controle para o amigo e falamos: passa essa fase para mim!

Quem dera se fosse tão simples assim. Queria que a vida fosse mágica, como um desenho animado do Tom e Jerry. Na próxima cena, todas as cicatrizes fossem curadas e fôssemos imortais a ponto das dinamites, balas de canhão e quedas absurdas não nos matassem.

Queria que tivéssemos a mesma sorte da esquadrilha abutre do Dick Vigarista. Apesar das sequências infinitas de acidentes aéreos, corajosos, continuam a perseguir o pombo.

Infelizmente não temos a imortalidade dos personagens de desenho animado. Não temos mais de uma vida como no videogame, muito menos podemos entregar o controle para um amigo passar essas fase, pelo simples fato do amigo estar na mesma fase, com os mesmos medos e as mesmas incertezas.

Nessa fase da vida, a fase da pandemia, não temos a imortalidade. Não podemos nos abraçar, tampouco nos aproximarmos. É complicado explicar isso para seres humanos, afinal, as relações de afeto sempre nortearam as relações sociais.

Em meio ao isolamento social, parece que ficamos mais próximos. Nesse nível complicado do jogo, infelizmente, já perdemos muita gente. Choramos e questionamos o programador do game. Afinal, se o jogo da vida, por si só já é difícil, para quê dificultar ainda mais?

Talvez não achemos respostas para isso. Ou as teorias sejam todas falidas. Mas o fato é: estamos na mesma fase. Parados no mesmo level, com as mesmas dificuldades. Parece que deu bug no joystick, ou ele foi desconectado de propósito. Não é possível!

A orientação para passar de fase parece ridícula: isolamento social. Ficar em casa e não fazer nada. Como assim? Para passar de fase precisamos ficar de braços cruzados, sem fazer nada? É isso?

Talvez o vírus seja uma resposta: desacelera, tem vida lá fora. Tem um parque cheio de árvores que não frequentamos como gostaríamos, pois não temos tempo. Temos um bosque, livros de ficção. Temos uma porção de coisas que não fizemos pois somos sufocados por uma rotina exaustiva que não nos permite respirar. Estudamos, trabalhamos, produzimos sem parar. Há quanto tempo postergamos uma janta com os amigos? Há quanto tempo não saímos de casa sem pressa, passeamos e gargalhamos ao ar livre?

Você, assim como eu, com certeza tem uma lista de coisas para fazer depois da quarentena. Eu quero viajar mais, me preocupar menos. Quero ver o nascer do sol mais vezes, de diferentes ângulos e apreciar o pôr do sol. Quero sair mais. Já que estamos em uma fase difícil, que tal nós nos unirmos e entendermos que pertencemos ao mesmo chão? Moramos no mesmo lugar. Que o planeta terra é a única casa da humanidade.

Esse momento do jogo requer a união de todos para vencermos. O programador programou esse desafio de maneira única. Ele é bom nisso! Precisamos entender sua mensagem, captar os elementos subjacentes e nos unirmos para vencermos essa.

A Covid-19 vai passar. O coronavírus vai ser estudado por gerações nos livros de história, biologia, química, matemática, filosofia, sociologia, geografia, economia, direito e todas as áreas da saúde. O modo de jogarmos hoje vai ficar para sempre na história. O coronavírus é uma fase real. Vamos supera-lá juntos?

 

 

Pedro Corrêa

Jornalista e Especialista em Mídias Sociais e Digitais pela UFN

 


Os textos/artigos/opiniões publicados em O Sepeense são de responsabilidade dos autores e não refletem a opinião do jornal.

 

 

 

Comments are closed.