

O titular da 2ª Delegacia de Polícia de Santa Rosa, Marcelo Lech, concluiu após investigação que Odilaine Uglione cometeu suicídio ao deferir um tiro contra a própria cabeça, em fevereiro de 2010, dentro do consultório do então marido, o médico Leandro Boldrini. O caso foi reaberto em maio do ano passado e remetido a Justiça no fim da tarde desta quinta-feira, 17, com base em laudos periciais e depoimentos de 55 pessoas.
O delegado foi designado para apurar a morte da mãe de Bernardo, depois que uma perícia particular indicou que a carta de despedida de Odilaine não havia sido escrita por ela. O caso havia sido arquivado como suicídio pela Polícia Civil de Três Passos, mas, desde a morte de Bernardo, em abril de 2014, a família de Odilaine pedia a reabertura da investigação e sustentava a hipótese de homicídio.

A investigação isentou Boldrini, o principal suspeito, de qualquer responsabilidade pela morte de Odilaine. No entanto, o inquérito de mais de 1,5 mil páginas demonstra o relacionamento conflituoso do casal e o descaso do médico nos cuidados da saúde mental da ex-mulher – que, segundo testemunhas, sofria de distúrbios psicológicos. Além disso, os depoimentos mostram que Odilaine já havia tentando se matar outras duas vezes e na noite anterior ao fato, teria ido a um Centro Espírita, confessando que estava disposta a tirar a própria vida. A babá de Bernardo também contou em depoimento, que no dia do ocorrido, Odilaine e Boldrini brigaram durante o almoço e que depois disto, ela teria chorado muito no quarto, falando em se matar. Antes de sair para ir até o consultório, Odilaine pediu a babá que cuidasse de Bernardo.
O Instituto-geral de Perícias (IGP) reconstituiu o dia da morte de Odilaine em dezembro de 2015, em Três Passos, na chamada Reprodução Simulada dos Fatos. Anexado ao inquérito, o laudo apontou que a versão relata por Boldrini era factível. Ele diz que a ex-mulher lhe apontou uma arma dentro do consultório e que, antes mesmo de sair da sala, ouviu o estampido do tiro.
O IGP ainda concluiu que a carta de despedida havia sido escrita pela própria Odilaine – e não pela secretária de Boldrini, Andressa Wagner, como havia apontado uma perícia particular. Porém, os laudos não foram definitivos quanto ao autor do disparo (pelo ângulo em que o projétil entrou e saiu do crânio da mulher, não se exclui a possibilidade de que uma segunda pessoa tenha puxado o gatilho) e quanto à possibilidade de luta corporal entre o casal (não foi possível afirmar que o material genético masculino encontrado embaixo das unhas de Odilaine pertencia a Leandro).



