
Os dias passam e o drama e a indignação vividos pela doméstica Carmen Lucia Neves Vaz, de 44 anos, só aumentam. A paciente, que é de São Sepé mas nos últimos anos mora em Santa Maria no Bairro Noal, está há mais de dois meses sem tratamento. Ela tem fortes dores na coluna o que impossibilita de realizar simples tarefas e até de levantar da cama.

Carmem disse que em 2014 fez exames que apontaram o problema na coluna, já que as dores estavam se agravando e a doméstica tinha crises em alguns momentos. Ela foi diagnosticada com redução simétrica do espaço entre duas vértebras, o que prejudica a medula. Desde então ela iniciou um tratamento na Clínica da Dor, que fica junto ao Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Até aí tudo bem. O problema para a doméstica começou quando a médica especialista que realizava o atendimento e receitava as aplicações na coluna se aposentou.
“A médica era uma pessoa muito atenciosa, uma ótima profissional e minhas dores na coluna haviam diminuído. Acontece que ela se aposentou, o que é um direito dela, mas o hospital não me encaminhou para outro especialista para que eu pudesse seguir o tratamento, então fiquei sem acompanhamento e as dores e crises voltaram. Disseram que era para eu ir nos postos de saúde de Santa Maria, mas lá só atendem clínicos gerais”, explica.
Carmen disse que foi informada que teria que entrar com uma nova solicitação para tratamento no HUSM, a partir de uma visita a uma unidade de saúde de Santa Maria, e começar tudo de novo. “Esse encaminhamento tem que ser feito no Posto de Saúde, e me disseram que leva de três a seis meses para eu conseguir novamente um tratamento no hospital universitário. Eu estava há dois anos fazendo tratamento na clínica do hospital, sendo assim eles teriam que me encaminhar direto para outro médico e não fazer com que eu entrasse com uma nova solicitação”, relata.
A doméstica, que agora está parada em casa aguardando ser chamada novamente no HUSM, disse que gasta em média R$ 2 mil por mês com medicamentos e recebe auxílio por estar afastada do trabalho por motivo de doença. Em momentos de crise ela perde o movimento das pernas. “Eu só comecei a piorar depois que parei de tomar a medicação que recebia no tratamento. Não tenho o que me queixar da clínica. A única coisa que quero é um tratamento, pois fico de ‘mãos atadas’ sem a receita de um médico para aplicar uma injeção que alivia minha dor. Tenho exames que comprovam a gravidade do meu problema. É uma irresponsabilidade”, desabafa.
Para tentar amenizar o sofrimento e ajudar nas despesas com o tratamento, Carmen tem recebido a ajuda de amigos e familiares que realizaram uma rifa beneficente recentemente. Quem quiser colaborar com ela pode entrar em contato pelo telefone (55) 9710-2651.
Na tarde de segunda-feira, 20, os filhos da doméstica pagaram uma consulta particular para que ela fosse a um especialista em São Gabriel. Ela disse que a realização de uma cirurgia seria de alto risco e que custaria cerca de R$ 120 mil. Enquanto isso e sem condições para pagar, Carmen tem a esperança de dias melhoras quando for chamada novamente para realizar o tratamento que iniciou, mas foi interrompido em abril deste ano.
A reportagem de O Sepeense enviou um e-mail às 15h59min de terça-feira para o HUSM, mas até por volta das 9h45minh desta quarta não havia obtido retorno do caso.




