Festas voltam às comunidades católicas após Ano Jubilar, mas sem venda de bebidas alcoólicas.

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Liberação dos bailes dançantes reacende debate entre lideranças religiosas e comunidades do interior da Arquidiocese de Santa Maria

As festas das comunidades católicas da Arquidiocese de Santa Maria voltaram a ser autorizadas após o encerramento do Ano Jubilar da Esperança, em 28 de dezembro de 2025. A retomada dos eventos, no entanto, ocorre com uma restrição que segue gerando controvérsia: a proibição da comercialização de bebidas alcoólicas foi mantida para todas as atividades promovidas pelas paróquias.

A decisão divide opiniões entre lideranças religiosas e representantes comunitários do interior. Enquanto parte das comunidades avalia a medida como positiva, por reforçar o caráter familiar, religioso e espiritual dos eventos, outra parcela critica a restrição, apontando perda de autonomia, impacto financeiro e descontentamento entre os fiéis.

Relembre a proibição

A polêmica em torno das festas teve início no fim de 2024. Em 19 de outubro daquele ano, o Conselho Arquidiocesano de Pastoral aprovou por unanimidade a norma que proibiu festas com comercialização de bebidas alcoólicas e música considerada incompatível com o espírito religioso. A medida entrou em vigor em 29 de dezembro de 2024 e teve validade até 28 de dezembro de 2025, período correspondente ao Ano Jubilar da Esperança.

A decisão alcançou todas as 39 paróquias da Arquidiocese de Santa Maria e esteve diretamente vinculada às orientações do Jubileu convocado pelo papa Francisco. À época, o arcebispo dom Leomar Antônio Brustolin afirmou que a iniciativa buscava alinhar as práticas das comunidades ao significado espiritual do período.

“O papa pede que o Jubileu seja vivido como um tempo de esperança, espiritualidade e reconciliação, e seguimos essa orientação para que o povo compreenda esse momento histórico”, declarou o arcebispo em entrevista concedida em dezembro de 2024.

Conforme a bula papal Spes non confundit, o Ano Jubilar foi proposto como um tempo de espiritualidade intensa, reconciliação e indulgências, convidando os fiéis a uma vivência mais coerente com os valores cristãos.

Repercussão e debate contínuo

Apesar da aprovação unânime no âmbito pastoral, a norma gerou forte repercussão nas comunidades. Vídeos de celebrações e falas do arcebispo circularam amplamente nas redes sociais, especialmente trechos em que ele criticava festas marcadas pelo consumo excessivo de álcool e o que classificou como “música bagaceira”.

Com o encerramento do Ano Jubilar, a liberação dos bailes dançantes foi vista por muitos como um avanço. Ainda assim, a manutenção da proibição da venda de bebidas alcoólicas mantém o debate aberto, colocando em evidência a tensão entre fé, tradição cultural e a realidade social das comunidades do interior da Arquidiocese.

Fonte: Diário SM