Valdiocir Bolzan

Rádio Tiaraju

Muitos sepeenses, nos dias de hoje, devem recordar com nostalgia a antiga Rádio Tiaraju que funcionou em São Sepé na década de 1960. Eram seus proprietários os senhores Alfredo e Sigfried Schimidt. Posteriormente Sigfried vendeu sua quota de capital para o seu primo Arthur. Depois teve outros proprietários. Essa rádio funcionou em caráter experimental por aproximadamente um ano e neste período mantinha um serviço de auto-falantes na Praça das Mercês e a data da inauguração da rádio foi efetuada no Cine Teatro Alvorada em 08.05.1961, com grandiosa festividade.

Funcionava na freqüência de 1.540 Khertz (quilohertz) com 100 Watts de potência e o seu prefixo era ZYK 208. Funcionou em diversos locais, sendo o primeiro na Av. 15 de Novembro, esquina com a Rua Plácido Chiquiti, onde hoje reside o Sr. Vilmar Vargas. Posteriormente funcionou na Av. 15 de Novembro, em um imóvel que pertenceu ao Sr Adão Figueira, nas proximidades de onde hoje é a Clinica do Dr. Adolpho Tonetto, e na Rua 7 de Setembro, ao lado do Magazine Ineu Masculino e na Rua Plácido Chiquiti, quase esquina com a Av. 15 de Novembro, local que anteriormente foi sede do Jornal A Noticia.

O transmissor estava localizado nas proximidades de onde hoje é a Associação dos Funcionários Municipais, no Balneário da Amélia, cujo imóvel pertenceu ao Sr. Carlos Scherer. Os primeiros funcionários foram Carlos Castro, Itajaí Martins Lucas da Costa, Paulo Irajá Scherer, Odilon Vieira, Toloredo Brum, entre outros. Com referência ao meu amigo Carlos Castro, quero aqui agradecer a sua valiosa colaboração para a matéria desta coluna. Também mantinham programação esportiva os senhores Luiz Michielin (Tio Mica) e Ramiro Martins Silveira.

Vamos narrar um fato pitoresco e hilariante quando o Tio Mica, em um dos seus programas esportivos, ao anunciar o prefixo da rádio que era de 1.540 quilohertz, pronunciou: Rádio Tiaraju de São Sepé operando na freqüência de 1.540 quilômetros, através de um transmissor marca Telefunken e por mim apresentado, Tio Mica, o Garganta de Veludo (garganta de veludo significava um apresentador que tinha boa voz e era bom locutor).

Outro fato acontecido foi quando o comunicador e proprietário Alfredo Schmitd, ao vivo e num dia de pleno sol, ao visualizar uma pancada d’água na calçada, noticiou: Chove torrencialmente em São Sepé. Não era nada mais, nada menos que uma moradora do apartamento de cima que jogou um balde de água na calçada. Por sua vez o comunicador Toloredo Brum tencionando divulgar a hora certa que seria 8 horas e 30 minutos, lascou direto: em São Sepé são exatamente 8 horas e 30 cruzeiros.

O horário de funcionamento da rádio era das 7 às 23 horas. A Rádio, mantinha aos sábados, programa gaúcho ao vivo, apresentado pelo Estácio Alves de Freitas (Guairacá), Werter Vargas, Neival Moreira, Betinho Gazen, Aloisi Correa (Tio Alois), os irmãos Antonio e Carlos Prates (Sertãozinho), entre outros. O diretor Alfredo Schimidt apresentava o programa Bailinho na Roça, aos sábados à noite. Também Ibanez Vargas apresentava diariamente o programa Terra Gaucha, que era levado ao ar às 18:00 horas e aos domingos Páginas do Rio Grande às 13:00 horas. Logicamente que haviam outros programas, bem como diversos apresentadores e colaboradores.

O Guairacá era de uma popularidade incrível na época, tendo muitos fãs e admiradores. Por ocasião da apresentação de um programa gauchesco, juntamente com o Napoleão Gazen, alguém lhe pediu um autógrafo, tendo ele falado para o Napoleão: acho que esqueci do autógrafo em casa. Vê ai compadre se podemos substituir por outra coisa qualquer. O Tio Alois, locutor esportivo, no intervalo de um jogo realizado no campo do Bento Gonçalves, a pedido de uma pessoa, noticiou: atenção, perdeu-se um molho de chaves com várias chaves. Quem, por ventura encontrou favor deixar as mesmas comigo, que as devolverei de imediato ao proprietário.

Na época existia o costume das dedicatórias que eram feitas pelos ouvintes e direcionadas à aniversariantes, batizados, casamentos, etc. Estas dedicatórias eram preferencialmente levadas ao ar aos sábados e domingos.

A audiência era enorme, medida pelas manifestações que chegavam via correio até à rádio, pois o serviço de telefonia era precário na época, os serviços telefônicos eram do município e não havia linhas à venda, portanto não havia telefone convencional na rádio. Celular não existia. Todo o trabalho na rádio era ao vivo, pois não tinha gravador e muito menos computador, razão pela qual os funcionários não podiam “arredar” o pé da aparelhagem para a troca de discos, abertura e fechamento de microfones, etc.

Os discos eram de vinil, de 33, 78 e 45 RPM. As solicitações musicais eram entregues diretamente na rádio ou pelo correio, pois a rádio não possuía telefone conforme falamos acima.

A rádio efetuava diversas transmissões externas, como bailes e diversos eventos de interesse da comunidade. Havia o programa Calouros 208 que era transmitido diretamente do Cinema Alvorada, aos sábados à tarde ou aos domingos pela manhã e era apresentado pelo Ramiro Martins Silveira. Nesse programa se apresentavam amadores que cantavam, declamavam e eram muito aplaudidos pela plateia.

Esse foi um histórico parcial (embora extenso) da saudosa Rádio Tiaraju que para os jovens, na atualidade, certamente desperta curiosidades e lembranças naqueles que com ela conviveram em épocas passadas em São Sepé.