Saiba “Por Onde Anda” o sepeense Elio Freitas

O convidado de hoje do quadro “Por Onde Anda, Sepeense?” é o sepeense Elio Freitas.

“O Sepeense” lembra que este espaço vale também para aqueles e aquelas que não nasceram em São Sepé, mas que de uma forma ou de outra possuem ligações com o município e se sentem sepeenses de coração.

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Trajetória

Me chamo Elio De Freitas Rodriguez Junior, 32 anos, nascido e criado em São Sepé. Filho mais velho de Maria Francisca (Chica) como todos a conhecem na cidade e Elio De Freitas Rodriguez, tenho como irmãos mais novos, Mariana Costa Rodriguez e Gabriel Costa Rodriguez todos criados e educados por ela “Chica” e muito próximo de nossos Avos Lurdes e Lelo.

Tive uma infância saudável e adolescência mais ainda graças a Deus e minha família e alguns professores que levo em minha memória, professoras do Colégio Mário Deluy, Tiaraju e São Sepé que procuraram nos passar um pouco do conhecimento e que nos aturavam ano após ano.

Que tempo bom onde podíamos desfrutar de algumas atividades que na época eram muito importantes para nós jovens da época como: Escolinha do Ginásio de esportes onde chegávamos 7h da manhã e saímos 11h, íamos para casa tomar banho, almoçar e irmos para o colégio estudar. Aos sábados íamos para a escolinha do Bento, Campeonatos das escolas no Ginásio sempre lotados muita rivalidade Mario Deluy x Valmarath me lembro como se fosse hoje, Festival de Bandas Marciais, aos 17 anos eis que surge a oportunidade de entrar no projeto de trazer de volta A Banda Paz e concórdia onde juntamente com a velha guarda da banda trocávamos experiencias e aprendíamos muito com eles mestre Assis, Azulão, Jefferson, Willian. Muitos não tinham paciência para nos ensinar, mas mesmo assim continuávamos com os ensaios com o Maestro CESSEU de Santa Maria que vinha uma vez por semana nos passar conhecimentos teóricos e práticos e durante a semana Cezinha comandava a Turma e que turma, muitos ensaios, algumas apresentações, mas tudo isso tinha um propósito, que era de tentar entrar na banda do exercito após entrarmos para o exercito para quem tinha idade de servir.

Elio Freitas

Em marco de 2002 centenas de jovens ingressaram no exército e o sonho estava mais próximo ainda, mas ficamos apenas 5 meses e fomos dispensados e confesso que até hoje não sei ao certo porque todos aqueles jovens foram dispensados, mas vida que segue e agora era a hora de dar um norte para minha vida.

Após sair do Exército um mês enchendo o saco em casa, minha mãe com seus contatos e QI (Quem Indica) conseguiu um emprego com seu patrão me lembro na época que era o Bira, que na verdade era para ajudar o seu irmão Rogério Ferreira da Silveira Engenheiro Eletricista. Me lembro que inicie organizando peças elétricas, motores, contactores, fios e cabos elétricos na oficina provisória no galpão do Trajano no bairro Kurtz que depois tornou-se permanente durante um 1 ano. Após ter organizado a oficina comecei a ir para campo como auxiliar do Rogério e Rogério Aires o “Tocaio” nos mais diversos serviços pelas redondezas da cidade e em outras cidades vizinhas. Acredito que Rogério e tocaio viram meu interesse e apostaram em mim, tiveram a paciência em me ensinar, assim tomei gosto pela profissão e em pouco tempo Rogério já me passava os serviços a serem realizados e partia sozinho ou com a equipe, serviços em outras cidades como Lavras do Sul, São Pedro, Pelotas e nos interiores de São Sepé.

Foram 4 anos trabalhando com Rogério na PolyWatt engenharia, mas como todo jovem eu queria mais, então resolvi sair de São Sepé. Na época alguns amigos já haviam ido embora para Santa Maria, Porto Alegre e Gramado. Então resolvi sair também, e por que não Gramado? Conversei com Laurício Santana um velho amigo e disse que sua irmã Clarice e o Esposo Paulo Henrique estavam em gramado. Conversei com Rogério e acertamos algumas pendências de uma obra que estava por terminar e que após o termino dos serviços partiria e tentaria algum emprego em gramado o mesmo me deu maior apoio.

Ao chegar em Gramado fiquei dois meses como turista. Fui ao Hotel Serrano visitar um amigo que já estava por lá há algum tempo, Fabiano Lopes, o mesmo perguntou se eu tinha carteira de motorista e se pretendia ficar por Gramado. Disse a ele que sim e o mesmo ajeitou uma entrevista no RH do hotel onde estavam precisando de motorista e fui para entrevista, isso numa sexta-feira fria e chuvosa. Não levei muito a sério até porque trabalhar como motorista não estava em meus planos. Na segunda-feira me chamaram dizendo que tinham uma oportunidade como Auxiliar de manutenção III do Hotel, Hotel este que considerado um dos melhores hotéis da Serra, aí sim fiquei empolgado, um novo desafio estaria por vir em minha vida, pois não imaginava o que faria em um hotel. Aos poucos fui conhecendo e me familiarizando com as rotinas e tarefas um aprendizado fora do sério. Nunca esquecerei, era o colaborador mais jovem do Setor de Manutenção do Hotel.

Em 2007 o Dono do Serrano Resort cria o Grupo GJP Hotéis onde teve várias mudanças e alterações no quadro de funcionários. Meu Gerente de Manutenção na época era Alberto Alves onde reuniu seus 25 colaboradores da manutenção e nos disse que o grupo estava expandindo para o Nordeste e que precisariam de pessoas comprometidas, de confiança e que tivessem disponibilidade de mudança, porém precisavam estar qualificadas para assumir os cargos. O mesmo me chamou após a reunião e perguntou se estava disponível, disse que sim mas que não tinha tanta qualificação. Alberto levou à diretoria a situação e decidiram investir em alguns colaboradores e dentre eles estava eu.

Foram dois anos de cursos, Elétrica Básica, Industrial, Comandos elétricos, Refrigeração, Chefia e Liderança, Coaching depois do horário de expediente do hotel, em outubro de 2008 surgiu a vaga de supervisor de manutenção no Hotel Costa Brasilis em Porto Seguro na Bahia, onde não deixei passar e agarrei sem questionar, e mais uma vez novos desafios estariam por vir agora um pouco mais longe (rsrsrs), novas experiências, outra cultura, pessoas totalmente desconhecidas, mas que valeu muito a pena.

Fiz muitos amigos que com certeza lembrarei de todos, foram quase dois anos e devido a sazonalidade da região para o turismo fui transferido para outro hotel da rede agora em Foz do Iguaçu, agora um pouco mais experiente já não me incomodava as mudanças, mas durou pouco tempo. Em 2010 surgi através de um amigo que conheci em Porto Seguro, Sr. Edmilson Pereira, que já estava em Manaus como Gerente Geral do Hotel Caesar Businnes do Grupo Mexicano Posadas me oferecendo oportunidade de morar e trabalhar em Manaus na Amazônia, Como Chefe de Manutenção do Caesar Business com um público totalmente corporativo. Desta vez parei, analisei, respirei fundo e decidi vamos lá. Em pouco tempo estava em Manaus fazendo a implantação da bandeira do hotel na cidade, como dizemos na hotelaria quem implanta Hotéis quase sempre não fica, também fiz muitos amigos por lá que até hoje temos contato.

Certo dia recebo a ligação de Alberto Alves, meu antigo Gerente na GJP, perguntando como eu estava e por onde andava disse a ele que estava em Manaus mas pretendendo retornar a Gramado, pois não estava me adaptando a terra úmida de Manaus e a seus altos custos de moradia. O mesmo me oferece a oportunidade de trabalho como Gerente de Manutenção em São Luiz no Maranhão com vários benefícios, etc… Para quem estava no norte do Brasil e pretendendo voltar para o Sul dar uma passada no Nordeste novamente não tem mau nenhum, e lá fui eu novamente agora para o Hotel Luzeiros em São Luiz do Maranhão, uma cidade incrível. Chegando lá pensei até em fixar residência, mas a hotelaria te surpreende e proporciona muitas coisas boas e muito rápido passei 1 ano em São Luiz e não parei, pois acredito que como em qualquer segmento de serviço existe uma carência por mão de obra qualificada, comprometida com custos, políticas de qualidade e desenvolvimento humano dos colaboradores, e sempre aprendi a valorizar.

Em novembro de 2011 surge mais uma vez a oportunidade de conhecer mais um pedaço desse brasil, agora Maceió – Alagoas, através do Sr. Edmilson Pereira que entregou meu Curriculum ao Dono do Hotel Ritz Lagoa da Anta que me ligou e chegamos a um acordo, me proporcionando um aprendizado único trabalhando em um Resort, agora fixei residência em Maceió Alagoas, atualmente sou Gerente de Manutenção do Meridiano Hotel em Maceió.

 

O que lhe motivou a sair de São Sepé?

Acredito que não somos motivados a sair de São Sepé, infelizmente saímos pois não temos oportunidades reais de crescimento, e também porque vemos em outras cidades oportunidades de crescer profissionalmente e pessoalmente que São Sepé ainda não proporciona.

 

Quantas vezes ao ano vem a São Sepé?

Gostaria muito de ir uma vez por ano, ficar com minha família rever amigos acredito que haja poucos amigos de minha época por ai, pois a maioria tomou o mesmo rumo que eu de sair em busca dos seus objetivos, seja ele pessoal ou profissional, mas sempre é bom voltar as nossas raízes. Sinto saudades sim quem não sentiria, é a cidade que nasci e de dois em dois anos apareço.

 

Pretende ainda voltar algum dia, para morar?

Por que não? Quem sabe o dia de amanha é so Deus, quando mais jovem bebi a água da Fonte da Bica então já sabem.

 

O que acha de nossa cidade?

Nossa cidade pode melhorar e pode inclusive reter muitas pessoas que saem às vezes sem um rumo certo, em rumo à Capital sem ao menos um emprego certo, mas que chega lá e corre atrás.

Infelizmente hoje peca muito quanto ao desenvolvimento das pessoas, conheço muitas cidades nesse Brasil menores que São Sepé que por exemplo tem um SENAI e que falta é alunos para preencher as vagas e não uma instituição de aprendizado, uma UNOPAR da vida.

Acredito que os governantes de hoje não sei quem são (rsrsrs) devam pensar nisso em reter os jovens que realmente querem crescer e que podem desenvolver ate mesmo administrar São Sepé num futuro próximo. Antigamente via amigos indo de São Sepé para Santa Maria, Caçapava fazer faculdade de ônibus, muitos depois de uma jornada de trabalho cheia. Acredito que nada mudou depois de 10 anos fora.