Que 2018 traga a empatia e a paz que foram levadas nos últimos anos – Pedro Corrêa


 

O ano está no fim, ainda bem! Nos últimos anos a sociedade retrocedeu séculos. Chegamos no século XXI e ainda tem gente que defende que a terra é plana, que contesta todos os estudos e dados que comprovam o modelo geoide do nosso planeta.

Em 2017 eu vi pessoas comemorarem a morte de uma mulher única e exclusivamente porque ela era esposa de um ex-presidente. Eu vi pessoas se insultando por pensarem diferente umas das outras. Eu presenciei falta de empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro), estudo, informação e discernimento. Vi pautas progressistas, como igualdade, serem atropeladas por uma intolerância sem escrúpulos de ambos os lados.

Termino 2017 com a sensação de estar vivendo o período da Guerra Fria. A dualidade ideológica parece florescer cada vez mais por meio de pensamentos assustadores. Os rótulos e estereótipos não param. De um lado mortadelas, do outro coxinhas. E as brigas de apelidos seguem: esquerdopatas x direita, Lula x Bolsonaro, Direitos Humanos x fascismo. A luta entre extremos é continuada com argumentos vazios, minimistas, reducionistas e apavorantes.
Parece que últimos tempos têm sido um grande replay de horrores. A cegueira ideológica é tanta, que há pessoas que discordam de um posicionamento por ele ser de “coxinha” ou de “mortadela”. Os Direitos Humanos Universais foram reduzidos a discursos de esquerda, não só no Brasil, como no mundo.

Em 2017, pessoas apoiaram abertamente o nazismo na UFSM. Neste mesmo ano, milhares de árabes e muçulmanos perderam a vida por conta de uma guerra que não tem sentido nem explicação, a não ser interesses econômicos. Da mesma forma que nem todo político é corrupto ou padre é pedófilo, nem todo muçulmano é terrorista. Os carimbos da sociedade mancham com sangue a história do mundo. A falta de empatia de uma sociedade doente é conivente com o genocídio de milhares de pessoas que estão à mercê de um mundo xenofóbico, racista, machista e nada humanista.

A guerra entre Direita e Esquerda é perversa. Por conta de uma batalha de egos políticos, quem perde, mais uma vez, é o povo. Não estou falando da Reforma da Previdência posta goela abaixo pelo Temer. Estou falando de Direitos Universais, que deveriam ser respeitados. Estou falando de uma intolerância generalizada de todos os lados.

Não, quem discorda de mim não é meu inimigo. Eu não preciso agredir para mostrar que a minha opinião é a correta. Não existe certo e errado quando se trata de política. Há leituras, conhecimento empírico e vivências de mundo que devem ser levadas em consideração. Para isso, há um exercício ótimo chamado empatia. Por meio dela é possível entender o que leva uma pessoa a ter determinado pensamento, quais questões norteiam aquele argumento e como eu posso fazer para desconstruir o discurso de ódio praticado, sem que eu me torne igual ao odioso, ou ofenda uma pessoa.

A democracia garante a liberdade de expressão. Mas o respeito é um dever nosso. Há inúmeras maneiras de concordar ou discordar com os fatos. Mas é preciso entender que a minha liberdade termina quando começa a do outro. Essa regra básica, que aprendemos em casa, quando criança, deve ser levada para vida. Não precisa agredir quem tem posicionamento contrário. Precisa sim, dialogar e manter o respeito que todos merecem.

Desejo que 2018 traga a calma na alma que foi surripiada nos últimos tempos. Que os discursos de ódio sejam combatidos com argumentos dignos de um crescimento social. No ano que vem, em suma, eu desejo respeito, paz e empatia. Feliz 2018!

 

 

Pedro Corrêa

Jornalista e pós-graduando em Mídias Sociais e Digitais pelo Centro Universitário Franciscano