Precisamos falar sobre fake news – Pedro Corrêa


 

De manhã até a noite recebemos informações. Nossa timeline não para. Com as redes sociais, a informação se tornou infinita. Do bom dia ao boa noite, no intervalo do trabalho, centenas de milhares de pessoas estão conectadas em seus smartphones, a maioria delas nas redes sociais ou em aplicativos de conversa.

O fato é: o mundo mudou. O modo como recebemos as notícias também. O jornalismo passou por mudanças drásticas e significativas nas últimas décadas. Precisamos mudar o modus operandi para atender a demanda de uma sociedade inquieta e que busca algo novo sempre. O que era estático, ficou interativo, atrativo e mobile. Os grandes nomes do impresso, TV e rádio, migraram para o jornalismo digital. Em contra partida, por meio da rede, também foi possível que mais pessoas, portais e sites produzissem informação. Em tese, quem ganha com tudo isso é o público, que tem acesso a mais dados, por diferentes vieses, com mais vozes, personagens e abordagens. O modelo tradicional começou a ser rompido.

Com esse fluxo contínuo e ininterrupto de informações, os leitores têm acesso a um mundo de conteúdo. Portais novos, sites, blogs, páginas que narram fatos cotidianos. Porém, a democratização da informação tem um lado duro e obscuro. Enquanto o leitor tem mais informações, a quantidade de boatos espalhados aumentou assustadoramente.

Todos os dias notícias falsas são compartilhadas como verdades. Lemos sobre furacões devastadores, mortes de celebridades, ondas de violência e discursos de políticos, que chocam. Textos mentirosos, que deixam a população à beira do caos.

As responsabilidades sociais do jornalismo e dos jornalistas são enormes. Sobretudo com a verdade! Disseminar boatos é crime. Ao longo dos anos se popularizou um pensamento de que para ser verdade um fato ele precisa ser noticiado, seja nas mídias de massa (rádio, TV, impresso) ou nas plataformas digitais. Parece que para legitimar um acontecimento, ele precisa estar na mídia, caso contrário, não aconteceu.

Mas nem tudo que está na internet necessariamente precisa ser verdade. É preciso checar as informações antes. Eu sei, o papel do repórter é averiguar e apurar para que a mensagem chegue de maneira clara, objetiva e direta até o receptor. Todavia, nem sempre esse papel é feito de forma plena. Às vezes a intenção não é transmitir a verdade, mas sim, causar pânico e, por meio de mentiras, formar opinião alheia sobre determinado assunto.

Entretanto, há maneiras fáceis para driblar as fackenews: verificar a fonte antes de postar e/ou compartilhar notícias, buscar o assunto no Google e ler a respeito do tema em diferentes portais, não compartilhar matérias se estiver em dúvidas sobre a veracidade do conteúdo e denunciar portais, sites, blogs e páginas que trazem mentiras como verdades.

A internet permitiu que todos ajudassem a construir a informação. É por meio da web que muitos assuntos viram pautas nas mídias tradicionais. É com a internet que as fake news devem ser combatidas.

O meu texto clichê serve como alerta. Quem produz a informação é o jornalista, aos leitores cabe o papel de fiscalizar, acrescentar e alertar quando algo está errado!

 

 

Pedro Corrêa

Jornalista e pós-graduando em Mídias Sociais e Digitais pelo Centro Universitário Franciscano