Plantio de oliveiras é nova aposta de empresário em Restinga Sêca


 

Mais como passatempo do que uma atividade exclusiva de retorno financeiro. É assim que o empresário Roberto Argenta, 65 anos, proprietário dos Calçados Beira Rio, com fábrica em Novo Hamburgo, e do Hotel Beira Rio, localizado no Recanto Maestro, em Restinga Sêca, vê a sua nova aposta em um ramo totalmente diferente. Agora, o foco é no agronegócio. Mais especificamente no plantio de oliveiras, para cultivo da azeitona e extração de azeite.

Numa área de 35 hectares, às margens da Estrada Recanto Maestro, o empresário investiu no plantio de 10 mil pés da planta. De fala mansa e olhar tranquilo, Argenta, que divide a sua rotina entre as atividades na cidade em que reside, Ivoti, na Região Metropolitana, e as visitas ao seu hotel, conta como surgiu a ideia.

Fotos: Charles Guerra

“Um dia, eu vi um programa de televisão que mostrava o plantio aqui pertinho, em Cachoeira do Sul. Então, mandei meu pessoal lá olhar para ver como era o processo e se havia condições de a gente plantar aqui também”, lembra Argenta.

Conforme o investidor, após a constatação de solo e clima favoráveis ao cultivo, foi a vez de iniciar o plantio. Agora, a equipe do empresário trabalha para que a planta se desenvolva de forma saudável, num período entre 3 e 4 anos, até que possa ser realizada a primeira colheita.

Apesar de o investimento, que não teve valor revelado, ser uma diversão como ele próprio considera, a intenção é gerar emprego e renda na região.

“Acredito que é um bom negócio, tem mercado. Inicialmente, temos uma equipe de cerca de cinco pessoas, mas a ideia é proporcionar trabalho aos moradores da redondeza e aos estudantes da faculdade (Antônio Meneghetti Faculdade – AMF, que fica próximo ao local), principalmente nas épocas de poda das árvores e colheita”, revela.

Os planos de Roberto Argenta ainda vão além. Segundo ele, há a previsão do beneficiamento das olivas ali mesmo na região, com a construção de uma fábrica e aquisição de maquinário que possibilite a extração do azeite de oliva, o qual já até um possível nome para a marca.

“Poderá se chamar Recanto, mas ainda é muito cedo para pensar nisso”, brinca Roberto Argenta, destacando que as atividades da nova indústria devem gerar cerca de 20 vagas de emprego permanente, mas ainda em data indefinida.

 

Ideia aprovada

A iniciativa do empresário é vista com bons olhos pelo chefe do Executivo de Restinga Sêca, o prefeito Paulo Ricardo Salerno.

“O senhor Argenta nos procurou para falar da ideia e sempre fomos parceiros. Inclusive buscamos técnicos para prestar apoio com estudo de solo e clima do local. Sempre incentivamos quem quer apostar no nosso município. Hoje, por exemplo, são mais de 50 pessoas aqui da cidade que vão para o Recanto para trabalhar ou estudar. Podemos dizer que Restinga Sêca tem o antes e o depois do Recanto Maestro”, comenta o prefeito, salientando ainda que há apoio a outros produtores para o cultivo de oliveiras.

Atualmente, existem, em média, 160 produtores no Estado, que plantam em uma área total de 2 mil hectares de oliveiras – 90% deles na Metade Sul, com destaque para municípios da região como Caçapava do Sul, que é pioneiro no cultivo há cerca de 12 anos, Formigueiro e São Sepé. Existem 14 empresas que produzem azeite de oliva no Estado, sendo uma em Formigueiro (Olivais da Fonte) e outras cinco em Caçapava do Sul (Cerro dos Olivais, Costi Olivos, Dom José, Prosperato e São Pedro).

 

Sobre a oliveira

  • Espécie frutífera pertencente à família das oleáceas, a oliveira é uma planta que se dá bem em dias de muitas horas de sol. Também apresenta bom florescimento em invernos amenos e chuvosos, além de verões quentes e secos. Para o desenvolvimento dos frutos, necessita de luz direta e poda, prática que ainda facilita o manejo e a colheita das azeitonas.

 

  • Árvore de porte médio, a planta pode chegar até 15 metros de altura dependendo da variedade. A oliveira possui tronco com curvas e folhas em formato de bico de lança, com as quais, em infusão, faz-se chá indicado para combater diabetes e hipertensão.

 

  • A partir da flor, forma-se depois da polinização o fruto: a azeitona. Ela é um fruto com caroço revestido de polpa mole. A cor da azeitona antes de estar madura é o verde e, depois de estar madura, torna-se preta ou violeta-acastanhada. A árvore atinge o ponto de produção ótimo com cerca de 20 anos. A composição média de uma azeitona é água (50%), azeite (22%), carboidratos (19%), celulose (fibras) (5,8%) e proteínas (1,6%).

 

  • Utilizada pelo homem há milhares de anos, a oliveira teve seu plantio comercial iniciado aqui no século XIX e tornou-se alvo de pesquisas brasileiras, a partir de 1948, no Rio Grande do Sul. Somente sete décadas mais tarde, em 2008, ocorreu a primeira extração de óleo genuinamente nacional, quando a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e a Embrapa Clima Temperado começaram a engarrafar o produto, rico em ácidos graxos insaturados, que são benéficos para aumentar os níveis de HDL, o colesterol bom.

 

  • O Brasil é o sétimo maior importador mundial de azeite e o segundo de azeitonas. A principal causa é que o país não plantava oliveiras, e por isso mesmo, não produzia azeitonas e muito menos, o azeite.

 

 

Fonte: Diário de Santa Maria