“Parecia um filme de terror”, diz vereadora de Vila Nova do Sul que ouviu explosões


 

O assalto a duas agências bancárias na madrugada desta sexta-feira, 11, tirou a tranquilidade do município de Vila Nova do Sul. Uma das pessoas a ouvir as explosões foi a vereador Luciane Andreazza. Em entrevista ao programa Espaço Livre da Rádio Cotrisel, Luciane contou detalhes sobre a noite violenta na cidade.

Ela, que mora no meio da quadra onde ficam as três agências bancárias, conta que por volta das 2h da madrugada havia acabado de falar com o irmão que mora em Esteio. Em seguida foi rezar e, ao escutar uma oração nos fones de ouvido, começou a ouvir barulhos que pareciam de marreta. Na sequência a vereadora conta que escutou várias explosões.

“Eles tentaram nos três bancos. Tu achava que ia parar, eu tentava olhar e dali um pouco vinha aqueles estouros de novo. Na minha casa balançavam vidros e janelas, parecia um filme de terror””, lembra. A vereadora disse que muitos moradores próximos estavam com as janelas abertas e as luzes acesas assistindo a ação dos bandidos.

A vereadora disse que os criminosos só não conseguiram atacar a agência do Sicredi porque o estabelecimento havia adotado medidas preventivas, como a construção de estruturas mais reforçadas no interior do banco. Isso porque em 2013 o município já tinha passado por um fato semelhante.

Luciane disse que quando começou a ouvir as explosões que atingiram o Banco do Brasil e Banrisul, a primeira coisa que fez foi ligar para a Polícia. “Não tinha Polícia. A primeira coisa que fiz foi ligar para a Polícia, mas ele [atendente] disse: ‘vocês fiquem quietos, fiquem em casa que a gente não tem o que fazer’. Os únicos dois policiais militares estavam em Santa Margarida do Sul, que atendem as duas cidades junto”, conta a vereadora.

A vereadora disse que em cima do Banco do Brasil mora uma médica cubana, mas ela está em Cuba passando férias. No prédio onde é localizado o banco estava a secretária de Assistência Social do município, que relatou ter escutado até as conversas entre os bandidos.

Foto: divulgação

Já o ex-prefeito de Vila Nova do Sul, Sérgio Coradini, contou também em entrevista à Rádio Cotrisel como tudo aconteceu. Como mora em frente às agências atacadas, Coradini disse ter “assistido de camarote” a audácia dos bandidos.

Segundo ele, o que mais chamou a atenção foi o fato de os bandidos estarem tranquilos durante toda a ação. “É um fato que a gente não quer que aconteca nos municípios onde têm agência bancária. O que chamou a atenção foi a tranquilidade deles. Entraram e fizeram o que quiseram na cidade. Saíram das duas agências numa tranquilidade e nós vendo aquilo sem poder fazer nada”, relata.

Coradini disse que foram pelo menos seis explosões nas duas agências e que cinco criminosos participaram da ação. “Tinha muita gente ligando e mandado mensagens nas redes sociais uns aos outros para não saírem de casa”, explica. Os ladrões fugiram em dois veículos – um preto e um prata, pela BR-290 em direção ao viatudo com a BR-392. Eles não chegaram a efetuar disparos com arma de fogo e não usaram nenhuma pessoa como refém.

Depois que os bandidos deixaram a cidade, muitos moradores foram até a frente das agências para ver os estragos causados pela ação criminosa.

 

ÁUDIO: ouça as entrevistas

Luciane Andreazza

 

Sérgio Coradini