EDITORIAL

O dia que a Tocha Olímpica te deixou uma lição

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Há poucos instantes passou em frente à sua casa um pouco da história do mundo. Talvez você não tenha percebido, ou quem sabe ficou hipnotizado por uma definição simplista de que estava a frente de um bastão com fogo. Afinal, ninguém ao menos fez questão de te perguntar se você concordava com aquela balbúrdia. Mas hoje você não teve escolha. Aliás, teve sim.

Uma tocha olímpica não resolverá a falta de remédio nos postos de saúde. Uma tocha olímpica não melhorará a infraestrutura da sua cidade. Uma tocha, tampouco, vai te devolver a tranquilidade de sair às ruas com segurança. O Brasil talvez não precisasse de uma tocha assim. Ou talvez a tocha olímpica não merecesse o Brasil que nos é oferecido.

_MG_0002A mesma tocha que passou em São Sepé – e olha só, na terra em que tantas vezes você desacreditou – vai mudar sua vida e das suas próximas gerações. Hoje, você pode ter desperdiçado a chance de ensinar uma criança sobre história milenar. Deixou de conversar com seus amigos sobre o simbolismo dos jogos que rompem as esferas econômicas, políticas e culturais de um planeta conturbado por conflitos. Perdeu a chance de deixar para mais tarde a leitura das notícias trágicas. Esqueceu de desfrutar da parte leve da vida, já que a parte ruim geralmente não te coloca opções. Perdeu de se emocionar, de rir e de chorar. Deixou de aprender porque talvez o mundo tenha te tornado amargo.

Talvez você tenha um motivo para ter agido assim. Talvez não. Mas você pode ser do outro grupo: aquele que tirou proveito do momento, que celebrou a tradição, ainda que você saiba que não resolverá os problemas do país com um simples aplauso.

A tocha olímpica foi embora e deixou marcado na cidade um capítulo da sua história. Fica a chance de renovar as energias, de cobrar, de participar mais. Amanhã o dia vai amanhecer de novo. As ruas não mais estarão interditadas e você será o próprio condutor dessa nova oportunidade por um caminho melhor.

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