Como a Festa do Divino se tornou um dos mais importantes eventos de São Sepé


Fotos: Bruno Garcia

 

Reportagem: Bruno Garcia

 

A Festa do Divino Espírito Santo é marcada por diversos símbolos que ajudam a compor a mais antiga e tradicional festa religiosa de São Sepé e região. Em sua 138ª edição, a festa de 2017 mantém as tradições daqueles que à época perpetuaram e contribuíram para que o evento se tornasse um sucesso.

Segundo consta no livro “Festa do Divino Espírito Santo – Um olhar sobre São Sepé”, da autora Glória Barbosa Cassol, os registros da festa datam do início de 1880 quando o primeiro festeiro era Manoel Simões Pires.

A preparação da festa começa depois da Páscoa com a visita da bandeira do Divino que passa de casa em casa e é carregada pelas voluntárias que participam da comissão. “Uma comitiva é encarregada de fazer visitas às casas de moradores do interior do município. Os festeiros e a comissão se reúnem, planejam, dividem tarefas, etc. E todos os passos, providências e doações recebidas vão sendo anotados e contabilizados”.

Seguindo a tradição, a festa começa às 6h da manhã de sexta-feira e é marcada por uma alvorada que percorre as ruas da cidade. Depois ocorre uma celebração na Igreja Matriz Nossa Senhora das Mercês onde o pároco Padre Gerson Gonçalves dá as boas vindas aos festeiros, comissão e voluntários.

Durante nove dias a igreja fica lotada de fiéis, onde muitos acabam assistindo a missa em pé porque o espaço fica pequeno frente ao tamanho de tantas demonstrações de fé. Ainda segundo consta no livro, o cortejo do Divino é formado da seguinte maneira: “à frente vai o padre segurando a mão de duas crianças, vestidas de pajem. A seguir, mais crianças vestidas de pajem, as damas de honra, o imperador e a imperatriz. Depois, vai o pregador daquela noite, seguido pelos festeiros, estes vestidos com uma capa vermelha. Após, segue a comissão carregando as bandeiras do Divino. Por último, vão os ministros leigos e os mordomos”. Esse ritual é repetido durante os nove dias. O grupo deixa o Salão Paroquial ao som da música do Divino, atravessa a rua, percorre parte da calçada da Praça das Mercês, e ingressa na Igreja Matriz.

Logo após as missas são realizados sorteios de prêmios todas as noites no Salão Paroquial. Muita gente, que prefere apenas participar do sorteio dos brindes, aguarda ansiosa minutos antes a abertura dos portões. E a disputa por um lugar no interior do salão é bastante acirrada, chega até haver um “corre-corre”.

Nas rodadas são sorteados brindes como carnes de gado e de porco, eletrodomésticos, e produtos doados pelo comércio local. Este ano o responsável por “cantar as pedras” nas rodadas é Jonas Lopes, que ocupa atualmente o cargo de secretário municipal de Finanças e Planejamento. A cada rodada o público aproveita para saborear as delícias do Divino como doces, pasteis, cachorro-quente e os tradicionais “quentões”. Durante os dias de festa, à tarde, ocorre a venda no quiosque que foi construído na entrada do Salão Paroquial. Este ano a comercialização é feita das 12h às 16h.

Foto: RS Produções

“No último domingo, às 9h, tem uma missa crioula e já é o anúncio de que a Festa se aproxima de seu final. Nessa missa há a entrega da Bandeira do Divino para o novo casal festeiro, escolhido na missa de sábado, ocasião em que também são eleitos seis casais da comissão”.

Depois da missa é servido um almoço no Salão Paroquial. Nos dias após o término da festa a comissão ainda trabalha, desta vez contabilizando o que foi arrecadado e gasto durante toda festa. Depois é apresentado o resultado contábil.

A certeza de que amizades e o apoio social conquistado e que irá ajudar as entidades beneficentes do município foram cumpridos fazem da Festa do Divino Espírito Santo uma das festas mais importantes de São Sepé e região, tanto para quem ajuda como para quem é ajudado.

 

 

* Com informações do livro “Festa do Divino Espírito Santo – Um olhar sobre São Sepé/RS”, de Glória Barbosa Cassol, lançado na 136ª festa realizada em 2016.