Coluna: Obstáculos da Opinião

Certo dia tive a difícil tarefa de convencer-me sobre a dificuldade de dialogar com pessoas que acreditam possuir um acervo de informações capaz de formar uma opinião inquestionável, pois fiquei abismado ao notar que vivemos em uma sociedade repleta de pessoas capazes de tratar sobre qualquer assunto, de qualquer área, a qualquer hora, mas não, não com qualquer pessoa.
Essa discussão generalizada que acontece sobre diferentes assuntos que circulam, principalmente na mídia, até poderia ser positiva, se realmente houvesse um “tratamento” dos assuntos. Mas infelizmente as pessoas que possuem uma ótica diversa sobre determinado tema enfrentam dificuldades para exercer sua liberdade de expressão sem rechaças, principalmente, por três fatores determinantes, sendo esses a vulgarização de opiniões, a ausência de limites para a liberdade de expressão e a não aceitação de opiniões contrárias.


A vulgarização de opiniões tem assolado qualquer debate sadio, sobretudo nos últimos tempos, o que significa que isso está sendo agravado. Todos possuem soluções e emitem pareceres sobre variados assuntos, da segurança pública à arte contemporânea, sendo pessoas verdadeiramente capacitadas ou não para isso. Perdemos a consciência de que nossas palavras possuem um peso astronômico e uma colocação errônea ou até mesmo uma opinião impulsiva, pode comprometer um desenvolvimento positivo ou então prejudicar um grupo de pessoas que depositam credibilidade na fala do emissor, como por exemplo, uma infeliz frase existente na música denominada “Ideologia” do autor chamado Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza, onde diz – “Meus heróis morreram de overdose”.


A ausência de limites para a liberdade de expressão gera um desconforto incalculável, até porquê, estão utilizando de forma maximizada esse instrumento para justificar intolerância. Segundo Ahmet Davutoglu, “A liberdade de expressão não é a liberdade de insultar”. Com isso o livre direito de opinar, criticar, denunciar, deve ser exercido com ética e principalmente com consciência, pois não podemos transformar algo que custou tão caro, como o direito à liberdade de expressão, em um dogma, porque os dogmas são antidemocráticos e geram autoritarismo e posições extremistas. Segundo Leandro Karnal, “Não há diálogo com quem é dogmático”.


A não aceitação de opiniões contrárias, ou então, intolerância da discordância, ambas são potenciais fontes da vitimização. Basta navegarmos um pouco pela internet, com ênfase nas redes sociais, para presenciarmos incontáveis circunstancias de intolerância, pessoas tentando incessantemente impor suas opiniões como verdade. Parece que a divergência se encontra inconcebível, ocasionando afastamentos de pessoas, términos de relacionamentos e até mesmo potencializando problemas. Um preço alto a ser pago por sustentar uma posição contrária é a taxatividade extrema, fazendo com que tornássemos vilões. Se falamos sobre a legalização das drogas, somos drogados; Se falamos sobre um excesso de demonstração afetiva de pessoas homossexuais, somos homofóbicos.


Portanto, o fato de uma pessoa sustentar uma opinião diversa da outra, não as fazem melhores ou piores entre si, mas diferentes. Não podemos mais admitir que a opinião diversa seja vista como algo de outro mundo, porque até então, foram as discordâncias que proporcionaram uma sociedade mais justa e igualitária, fazendo-se de extrema necessidade. É através dessa troca de opiniões e ideias que conduziremos nossa sociedade a uma considerável evolução que possivelmente terá menos intolerância e mais respeito com a opinião contrária, mostrando então, uma evolução satisfatória.

 

 

Igor Trindade de Souza – estudante do 9º semestre de Direito da FAPAS