Chuvas atrasam colheita de grãos de verão no RS

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Foto: divulgação/José Schafer

Foto: divulgação/José Schafer

As recentes chuvas atrasaram a colheita da soja, que poderia estar quase finalizada no Rio Grande do Sul. De acordo com o Informativo Conjuntural elaborado pela Emater/RS-Ascar, a umidade tem comprometido a qualidade do grão na região Sul do Estado, cuja retirada das lavouras está impossibilitada. Em algumas localidades, os prejuízos estão sendo monitorados e avaliados.

No milho, apesar da colheita mais lenta em relação a períodos anteriores, o percentual já chega a 90% do total da área plantada. As produtividades alcançam os mesmos níveis das primeiras colheitas e apresentam boa qualidade de grãos. Nesta safra, a área plantada diminuiu, provocando aumento da demanda e uma oferta menor em relação ao ano passado.

A alta umidade no solo, associada ao frio que está iniciando, não é favorável à cultura do feijão 1ª safra, pois predispõe a planta à incidência de doenças fúngicas, principalmente a antracnose das vagens e folhas. Para evitar perdas, devem ser realizados tratamentos preventivos. A colheita do feijão avança nas regiões Celeiro, Noroeste Colonial e Alto Jacuí, com bons rendimentos. A qualidade dos grãos colhidos também é muito boa.

A colheita do arroz está paralisada em função das fortes chuvas nos últimos dias. Mesmo assim, a colheita chega a 70% do total. É possível que com esse atraso as lavouras que ainda não foram colhidas tenham seus rendimentos afetados, reduzindo a produtividade e comprometendo a qualidade do grão. A tendência é que ao fim da colheita a produtividade média estadual, que hoje é estimada em 7.454 kg/ha, tenha que ser revista para baixo.

 

Cana-de-açúcar

Nas Missões, o desenvolvimento da cana-de-açúcar tem sido muito bom, com boa expectativa de produtividade. No Litoral Norte, nos municípios de Santo Antônio da Patrulha, Osório, Maquiné, Três Forquilhas, Três Cachoeiras, Mampituba, Morrinhos do Sul e Dom Pedro de Alcântara, a lavoura encontra-se em desenvolvimento vegetativo e manejo do cultivo com capinas e adubação orgânica e química. O início da produção de cachaça está previsto para o final de maio.

 

Figo

A região do Vale do Caí é a maior produtora de figo do RS. Os municípios de Bom Princípio, Brochier, Feliz, Linha Nova, Maratá, São José do Hortêncio, São Pedro da Serra e São Sebastião do Caí, no Vale do Caí, e Poço das Antas, no Vale do Taquari, somam, juntos, 210 ha de cultivo de figueira. A principal cultivar plantada é a Roxo de Valinhos.
O figo é colhido tanto verde como maduro. Quando colhido verde, se destina à indústria de compotas, e, quando maduro, para a indústria de doces, tipo schmier, ou para o consumo ao natural. A colheita do figo está no final e nesta safra, antecipada, em função do calor prolongado no início de outono, o que apressa a maturação das frutas.

 

Batata-doce

Nos municípios de Mariana Pimentel, Barra do Ribeiro e Sertão Santana, a batata-doce está em início de colheita e comercialização. A área cultivada na região é de aproximados 2.500 hectares, com perspectiva de aumento. A produtividade média é 14 t/ha, com produto de boa qualidade Estão envolvidas nesta atividade em torno de 200 famílias. Já foram colhidos e comercializados 21,2% da produção.

 

Pastagens e criações

Com a chegada do outono, há algumas restrições quanto à plena oferta de pasto aos animais, pois tanto o campo nativo como as pastagens perenes começam a apresentar menor taxa de crescimento. No momento, as pastagens anuais de verão estão praticamente esgotadas, e as pastagens de inverno (aveia, azevém, trevo e cornichão) somente agora estão sendo semeadas. Importante destacar a ocorrência do vazio forrageiro do outono, que será mais perceptível neste fim de abril e durante o mês de maio.

 

Bovinocultura de corte

No rebanho bovino, está no fim o período de reprodução e a fase é de gestação das vacas, com expectativa de bons índices, devido às boas condições climáticas que favoreceram o bom desempenho das pastagens, principalmente do campo nativo. Segue as práticas de desmame e final de castração, visando à comercialização nas feiras especializadas de terneiros de corte.

 

Bovinocultura de leite

Na atividade leiteira, pastagens perenes como tifton e jiggs garantem volumoso para o rebanho, porém com certo comprometimento da qualidade, variando de acordo com o manejo adotado pelo agricultor. Pastagens anuais, como sorgos e algumas variedades de capim sudão, já estão em final de ciclo, e a produção e a qualidade estão comprometidas. Muitas áreas ocupadas por essas espécies estão sendo semeadas com pastagens de inverno. O estado corporal e sanitário do rebanho é satisfatório. A previsão de vazio forrageiro de outono será menor do que no ano passado, devido à melhor umidade e à condição das pastagens em geral.

 

Ovinocultura

Em algumas propriedades está sendo concluído o período de reprodução de outono, principalmente entre as raças de corte. Nas propriedades em que o encarneiramento é realizado no cedo, os trabalhos entre as raças de lã encerraram. Os cordeiros estão com escore corporal reduzido devido às condições climáticas, que favorecem a verminose. Alguns rebanhos apresentam problemas de podridão dos cascos. Os meses de março e abril são próprios para o banho de imersão, obrigatório para o rebanho ovino, para controle do piolho e da sarna ovina. O produtor deve realizar o banho de seus animais e posteriormente apresentar a nota fiscal dos produtos à Inspetoria Veterinária e Zootécnica local. Todos os rebanhos estão com os cordeiros desmamados. O momento é de término da esquila dos cordeiros nascidos no último inverno, com lã de baixo peso.

 

 

* Emater

 

Guilherme Motta