Acusada de envolvimento na morte da filha de 3 anos será julgada nesta sexta


 

O Tribunal do Júri decide, nesta sexta-feira, 3, em Santa Maria, se a mãe da menina de 3 anos que chegou sem vida ao Pronto-Atendimento (PA) do Bairro Patronato, com lesões pelo corpo, em 11 de junho do ano passado, deverá ser responsabilizada pelo fato.

Kanandra Ledi Lima da Silva, de 22 anos, responde por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima com os agravantes de ter cometido o crime contra sua filha e, ainda, por omissão. Segundo o laudo da perícia, Alice Kauane morreu por “politraumatismo em decorrência de repetição de ações contundentes”.

Alisson Garcia Lopes, de 21 anos, companheiro de Kanandra à época do crime, também foi acusado de homicídio. A menina morava com o casal em uma casa na Vila Pôr do Sol, no Bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria. No dia do crime, quando os médicos do PA desconfiaram das circunstâncias das lesões da menina e acionaram a Brigada Militar, o casal disse que a criança havia se machucado ao cair.

Foto: Gabriel Haesbaert/Diário

O caso foi investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). À Polícia Civil, Kanandra contou que estava em outra peça da casa quando o companheiro teria agredido a menina. Além disso, ela contou que chegou a pedir para que o companheiro parasse as agressões. Em juízo, a mãe relatou que Alisson havia batido na criança e, depois, nela. Por conta disso, Kanandra havia desmaiado e não teria conseguido socorrer a filha.

O promotor Joel Oliveira Dutra disse que vai sustentar a denúncia do Ministério Público. Para ele, Kanandra deve ser condenada porque “agiu de modo a concorrer para a morte da própria filha”.

O advogado de Kanandra, Leonardo Sagrilo Santiago, vai defender a tese de que a mãe não teve participação na morte da criança.

“Vamos mostrar que a ré não tem envolvimento, que está sofrendo psicologicamente, porque era uma filha que ela amava muito. Se a justiça for feita, ela tem que ser absolvida”, declarou o advogado.

Kanandra está presa preventivamente na Penitenciária Feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre. Ela chegou a ser encaminhada à ala feminina do Presídio Regional de Santa Maria, mas pediu a transferência por conta da intolerância das demais detentas em relação ao crime pelo qual ela é acusada.

A ação que apura o envolvimento de Alisson foi separada do processo inicial. Ele também responde por homicídio com as mesmas qualificadoras atribuídas à mãe da criança.

De acordo com informações da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, onde correm os dois processos, o júri de Alisson está previsto para ocorrer em outubro deste ano. A advogada de Alisson, Camilla de Oliveira dos Santos, preferiu não se manifestar. Ele está preso preventivamente na Penitenciária Estadual de Santa Maria (Pesm) desde o fato.

 

 

Fonte: Diário de Santa Maria